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Atividade física depois dos 60 ajuda a preservar força e autonomia

Exercícios aeróbicos, fortalecimento muscular e atividades de equilíbrio podem melhorar a capacidade funcional e contribuir para uma vida mais independente

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Atividade física depois dos 60 pode ajudar a preservar força, equilíbrio e autonomia.
Atividade física depois dos 60 pode ajudar a preservar força, equilíbrio e autonomia. • Magnific

Chegar aos 60 anos não significa colocar a atividade física em segundo plano. Pelo contrário. Manter o corpo em movimento pode ser uma das estratégias mais importantes para preservar força, equilíbrio, mobilidade e autonomia ao longo do envelhecimento.

Isso não significa que uma pessoa de 60, 65 ou 70 anos precise começar imediatamente a correr, levantar grandes cargas ou passar horas na academia. O exercício precisa acompanhar a condição física, os hábitos anteriores e as limitações de cada indivíduo.

Para quem está parado há muito tempo, pequenas mudanças já podem representar um começo. Caminhar, subir escadas, fazer exercícios de força com orientação, praticar dança, hidroginástica ou trabalhar o equilíbrio são algumas possibilidades.

A recomendação também não é apenas uma questão de aparência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona a atividade física regular em pessoas mais velhas a benefícios para a saúde cardiovascular, pressão arterial, diabetes tipo 2, saúde mental, cognição, sono e capacidade funcional. A entidade também destaca a importância do exercício para reduzir o risco de quedas e da perda de função física.

O que muda depois dos 60

O envelhecimento faz parte do ciclo natural da vida e pode trazer alterações na massa muscular, força, equilíbrio, flexibilidade e capacidade cardiorrespiratória. Isso não significa, porém, que a perda de funcionalidade seja inevitável ou que não possa ser reduzida. É justamente por isso que o movimento ganha importância.

Manter músculos ativos ajuda a realizar tarefas que parecem simples, mas são fundamentais para a independência: levantar de uma cadeira, carregar compras, subir escadas, caminhar, tomar banho ou movimentar-se pela casa.

O exercício também pode ajudar pessoas que já apresentam algumas condições crônicas. O CDC, por exemplo, destaca que a atividade física pode reduzir dores articulares e melhorar a função e o humor de pessoas com artrite.

A ideia, portanto, não é transformar o exercício em uma obrigação de alto desempenho, mas utilizá-lo como ferramenta para manter o corpo capaz de realizar as atividades do cotidiano.

Aeróbico, força e equilíbrio

Depois dos 60, uma rotina de atividade física não precisa se limitar a exercícios aeróbicos. As recomendações atuais para pessoas com 65 anos ou mais indicam uma combinação de três componentes: atividade aeróbica, fortalecimento muscular e exercícios que trabalhem o equilíbrio. 

O CDC recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana e atividades voltadas ao equilíbrio.

A OMS segue orientação semelhante. Para pessoas mais velhas, a entidade recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. Também recomenda fortalecimento muscular em dois ou mais dias da semana e atividades que combinem força e equilíbrio em pelo menos três dias, especialmente para melhorar a capacidade funcional e prevenir quedas.

Esses números não devem ser encarados como uma meta obrigatória para quem está começando. A própria OMS orienta que pessoas sedentárias iniciem com pequenas quantidades de atividade e aumentem gradualmente frequência, duração e intensidade.

Caminhada pode ser um bom começo

Para quem passou anos sem fazer exercícios, a caminhada costuma ser uma alternativa acessível. Não é necessário começar correndo ou estabelecer uma distância longa logo nos primeiros dias. Uma caminhada de alguns minutos pode ser o ponto de partida. Com o passar das semanas, o tempo pode aumentar de acordo com a adaptação do corpo.

O importante é evitar a comparação com pessoas mais jovens ou com indivíduos que já treinam há anos. A intensidade adequada para uma pessoa pode ser excessiva para outra.

Por isso, a recomendação de manter os batimentos cardíacos abaixo de um número específico, como 114 batimentos por minuto, não deve ser aplicada indistintamente. Frequência cardíaca, medicamentos, condicionamento físico e condições cardiovasculares podem alterar a resposta ao exercício.

Uma forma mais prática de avaliar a intensidade moderada é observar a própria capacidade de conversar durante a atividade. Uma pessoa pode conseguir falar, embora esteja respirando mais rapidamente. Se houver falta de ar intensa, dor no peito, tontura ou outro sintoma preocupante, a atividade deve ser interrompida e é importante buscar avaliação profissional.

Natação e exercícios na água

A natação e outras atividades aquáticas também podem fazer parte da rotina de pessoas mais velhas. A água reduz o impacto sobre as articulações e permite diferentes formas de movimentação.

Para pessoas com artrite, por exemplo, o CDC cita atividades aquáticas entre as possibilidades de exercício e destaca que a atividade física pode contribuir para reduzir dores articulares e melhorar a função.

Hidroginástica, caminhada dentro da água e natação, porém, não são equivalentes. Cada modalidade apresenta características diferentes e deve ser escolhida de acordo com a condição física e os objetivos da pessoa.

Musculação também pode fazer parte da rotina

Outro conceito que precisa ser revisto é a ideia de que treinamento de força seria inadequado para pessoas mais velhas.

Exercícios de fortalecimento podem ser realizados com pesos, faixas elásticas, máquinas ou até mesmo utilizando o peso do próprio corpo. O CDC recomenda que pessoas com 65 anos ou mais façam atividades de fortalecimento pelo menos duas vezes por semana, trabalhando os principais grupos musculares.

O objetivo não precisa ser ganhar grandes músculos. A força adquirida pode ajudar justamente nas tarefas do cotidiano e na manutenção da independência.

O treinamento deve, entretanto, ser adaptado à experiência e às condições de cada pessoa. Para quem possui doenças crônicas, histórico de quedas, dores persistentes ou está há muito tempo sem se exercitar, uma avaliação profissional pode ajudar a definir uma rotina mais segura.

Equilíbrio merece atenção especial

Com o avanço da idade, trabalhar o equilíbrio ganha importância porque quedas podem provocar fraturas e comprometer temporariamente ou permanentemente a autonomia. Exercícios simples, quando adequados à capacidade individual, podem trabalhar essa habilidade. O CDC cita como exemplos permanecer sobre um pé, caminhar colocando um pé à frente do outro e movimentos que envolvam levantar-se de uma cadeira.

Práticas como dança, tai chi, yoga e determinados exercícios funcionais também podem combinar diferentes componentes, como equilíbrio, força e mobilidade. Mais uma vez, a segurança deve vir primeiro. Exercícios de equilíbrio devem ser feitos em ambiente seguro e, quando necessário, com apoio ou acompanhamento profissional.

Começar devagar também é começar

Para quem está sedentário, não existe necessidade de transformar a rotina de uma hora para outra. Uma caminhada curta pode ser o primeiro passo. Depois, podem entrar exercícios de força e atividades de equilíbrio. O importante é criar consistência e aumentar a carga de maneira progressiva.

A OMS reforça que alguma atividade física é melhor do que nenhuma e recomenda que pessoas mais velhas ajustem a intensidade às próprias capacidades e condições.

Depois dos 60, portanto, atividade física não deve ser encarada como uma disputa contra a idade. É justamente uma forma de preservar aquilo que permite viver essa fase com mais autonomia: força para se movimentar, equilíbrio para evitar quedas e condicionamento para realizar as tarefas do cotidiano.

Mais do que começar uma corrida ou entrar em uma academia, o primeiro passo pode ser simplesmente deixar o corpo menos parado. E, a partir daí, construir uma rotina possível, gradual e sustentável.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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