Votação de PEC Antiaborto é interrompida por manifestação
Texto do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha, altera o artigo 5º da Constituição para estabelecer que o direito à vida é inviolável 'desde a concepção'

A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para impedir o aborto no Brasil, mesmo nos casos previstos em lei, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados foi interrompida por uma manifestação nesta quarta-feira (27).
Mulheres contrárias ao texto interromperam a sessão durante um pronunciamento da relatora, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ), que apresentou parecer favorável à proposta. "Criança não é mãe, estuprador não é pai", gritavam as manifestantes.
Após aproximadamente 40 minutos, a sessão foi retomada na sala da CCJ, o plenário 1 do Anexo II da Câmara. Apenas parlamentares, servidores e a imprensa foram liberados.
Entenda a polêmica
O texto, de autoria do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos), altera o artigo 5º da Constituição para estabelecer que o direito à vida é inviolável “desde a concepção".
Em sua justificativa, Cunha argumenta que “a vida não se inicia com o nascimento e sim com a concepção”. Assim, segundo ele, a garantia tem que ser estendida também aos fetos.
Na prática, se a PEC for aprovada, ficam prejudicadas as hipóteses em que o aborto é permitido atualmente: quando a gestação coloca risco à vida da mulher, em casos de estupro ou de anencefalia do feto.
Outra tentativa
Essa é a segunda vez que deputados de oposição e da bancada evangélica tentam restringir os direitos relacionados ao aborto no Brasil.
No primeiro semestre, uma proposta do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) causou polêmica ao considerar crime a interrupção da gravidez, mesmo em casos previstos por lei, criando uma pena equivalente ao de um homicida.
A ideia do PL 1904/24 é que houvesse uma punição para situações em que o aborto seja realizado após 22 semanas de gestação. A pena seria de seis a 20 anos de prisão.
Em junho, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anunciou a criação de uma comissão para debater o projeto. Desde então, o assunto praticamente morreu no Congresso.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.



