Vereadores de BH cassados: Wesley Moreira critica decisão de Moraes e César Gordin cita ‘perseguição’
Decisão do TSE determinou que votos de chapa do PROS na eleição de 2020 devem ser anulados por causa de candidaturas laranjas

Os dois vereadores de Belo Horizonte que perderam os mandatos na Câmara Municipal por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite de terça-feira (12) criticaram a decisão e classificaram o julgamento como injusto, citando decisões diferentes no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais.
O vereador Wesley Moreira (PP) afirmou que o pedido de anulação dos votos da chapa do PROS havia sido considerado improcedente pelo Ministério Público e afirmou que viu com “estranheza” a decisão do ministro Alexandre de Moraes.
“Me causou estranheza a decisão de Alexandre de Moraes, uma vez que o MP de Minas fez uma investigação profunda deste caso, ouvindo as candidatas, e não encontrou nada que caracterize uma candidatura laranja. O TRE também fez essa investigação. Infelizmente, quando chegou em Brasília, esse entendimento foi alterado”, afirmou Wesley, em entrevista à Itatiaia.
A ação no TSE teve como relator o ministro Floriano de Azevedo Marques e a decisão contra os dois parlamentares mineiros foi acompanhada pelos outros magistrados.
O vereador César Gordin (Solidariedade), que assumiu o mandato há um ano como suplente, lamentou a decisão da Justiça e disse ter sido vítima de “perseguição contra quem bate de frente com o sistema”.
“Sou de um movimento historicamente marginalizado, nunca aceitaram a minha presença em espaços de poder. Sempre tive que fazer dez vezes mais para mostrar o meu valor e mesmo assim sou olhado com desconfiança. Talvez eu seja o único vereador na história que dei espaço em mandato para ajudar na ressocialização de egressos do sistema, mesmo sabendo dos riscos e dos julgamentos. E quem está nessa posição fica na mira. Arrumaram um jeito de movimentar em Brasília um processo de 2020 contra o partido que fui candidato e que não tenho nada a ver. Inclusive, se não fosse as candidaturas laranjas teria tido quatro anos de mandato ao invés de um”, afirmou César Gordin.
Repercussão na CMBH
O presidente da Câmara, vereador Gabriel Azevedo (MDB), afirmou que a Casa não é parte na ação judicial e não irá se manifestar. “Cabe a nós apenas cumprir a decisão judicial. Agora pela manhã vou notificar a procuradoria da Casa, para que a procuradoria faça o que tem que ser feito de acordo com todos os trâmites judiciais”, afirmou Azevedo.
A vereadora Cida Falabella, líder do PSOL na Câmara, citou a boa relação com os vereadores cassados, mas ressaltou a importância da Justiça Eleitoral garantir que as cotas femininas sejam revertidas em maior espaço para mulheres em cargos eletivos.
Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.



