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TSE dá 72 horas para Bolsonaro explicar minuta de decreto que previa Estado de Defesa no órgão

Documento pretendia intervir na Justiça Eleitoral e criar comissão para buscar “lisura” nas eleições

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Benedito Gonçalves deu prazo para Bolsonaro se manifestar sobre documento encontrado na casa de Anderson Torres
Benedito Gonçalves deu prazo para Bolsonaro se manifestar sobre documento encontrado na casa de Anderson Torres • Abdias Pinheiro/SECOM/TSE

O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Benedito Gonçalves, deu 72 horas para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) explique ao órgão a minuta de um decreto que previa a decretação de Estado de Defesa na sede da Justiça Eleitoral. O documento foi encontrado pela Polícia Federal, durante uma operação de busca e apreensão, na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres.

A decisão do ministro atende a um pedido do PDT, que incluiu a informação em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que já corria no TSE e tinha Bolsonaro como alvo. O processo questiona o ex-presidente por possível abuso de poder político durante a campanha eleitoral, tendo como base o evento realizado por Bolsonaro no Palácio do Alvorada em que ele atacou o sistema eleitoral perante uma plateia de embaixadores estrangeiros.

Para o partido, a minuta do decreto é um "embrião gestado com a pretensão a golpe de Estado" e que tem correlação com o que trata a ação, já que o argumento do PDT é de que o ex-presidente queria tomar o poder pela força, em caso de derrota eleitoral.

O corregedor-eleitoral disse haver correlação entre os fatos, ao determinar que Bolsonaro se explique sobre o fato em até três dias.

Estado de Defesa no TSE

A minuta de um decreto presidencial encontrado em um armário na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, previa que o presidente Jair Bolsonaro (PL) decretasse estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quebrasse o sigilo dos ministros e formasse uma Comissão de Regularidade Eleitoral, que poderia convocar novas eleições.

Torres está preso após ter sido acusado de envolvimento nos atos violentos ocorridos no dia 8 de janeiro, quando apoiadores de Bolsonaro destruíram e invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Leia: Anderson Torres confirma veracidade de decreto de intervenção no TSE e justifica: 'seria triturado'

Em sua defesa, Anderson Torres alegou que a minuta estava junto de uma pilha de documentos em sua casa e que seria levado para ser destruído na sede do Ministério de Justiça e Segurança Pública. Ele disse, ainda, que o documento foi vazado "fora de contexto".

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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.