Ministros do STF veem como improvável revogação de restrições a Bolsonaro
Defesa do ex-presidente pede que Alexandre de Moraes reveja decisão ou envie recurso para julgamento da Primeira Turma do Supremo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam, de forma reservada, que são remotas as chances de o ministro Alexandre de Moraes rever as restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na semana passada, a defesa de Bolsonaro apresentou recurso contra trechos da decisão que proíbe o ex-presidente de receber visitas com finalidade político-eleitoral e de divulgar manifestações políticas até o fim das eleições deste ano.
Os advogados pedem que Moraes reconsidere a medida. Caso isso não aconteça, solicitam que o agravo regimental seja analisado pela Primeira Turma do STF, colegiado do qual o ministro faz parte.
Enquanto isso, Moraes concedeu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre as restrições impostas às visitas ao ex-presidente.
A defesa argumenta que Bolsonaro já havia sido punido com a suspensão do direito de receber visitas por 30 dias, após divulgar a carta em que declarou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Além dessa sanção, Moraes determinou duas restrições válidas até o fim das eleições de 2026: a proibição de visitas com finalidade político-eleitoral e a vedação à divulgação de manifestações políticas por qualquer meio, inclusive por terceiros.
No recurso, os advogados afirmam que a decisão amplia indevidamente o alcance do artigo 15 da Constituição, que trata da suspensão dos direitos políticos de condenados. Segundo a defesa, o dispositivo diz respeito apenas à capacidade eleitoral — o direito de votar e ser votado — e não autoriza restrições à liberdade de expressão.
Os advogados também sustentam que a proibição de divulgar manifestações "por qualquer meio" configura censura prévia e afirmam que a expressão "finalidade político-eleitoral", utilizada na decisão para restringir visitas, é genérica e não estabelece critérios objetivos para definir quais encontros seriam considerados irregulares. Por Teo Cury, da CNN Brasil.
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