‘Tentativa de golpe sem apoio de força armada? Impensável’, defende Marco Aurélio Mello
O ex-ministro do Supremo defendeu, em entrevista exclusiva à Itatiaia, que não houve tentativa de golpe de Estado no Brasil, em referência aos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023

Conhecido por ter atuado por 31 anos como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, que foi presidente da Corte entre 2001 e 2003, além de ter presidido por três vezes o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendeu, em entrevista exclusiva à Itatiaia, que não houve tentativa de golpe de Estado no Brasil, em referência aos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Tido como um jurista “polêmico”, Mello se aposentou do STF em 2021, ao completar 75 anos, idade limite para ocupar o cargo. O magistrado é também conhecido pela independência nas decisões e por não se deixar levar por pressões populares. O jurista esteve em Belo Horizonte para encontro da Associação Nacional da Advocacia Criminal nessa terça-feira (31).
“Tentativa de golpe de estado sem apoio de Força Armada? Impensável. A partir do momento em que se cogitou e em (direito) penal não se pune a cogitação e não houve apoio das Forças Armadas, ficou totalmente afastada a possibilidade de golpe de Estado. Cogitar não atrai a persecução criminal. Isso é que tem que ser pensado”, argumentou.
O ex-ministro considera penas aplicadas como excessivas, e cita o exemplo da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que pichou com batom a frase “perdeu, mané”, em uma estátua em frente ao Supremo. Ele classifica os participantes dos atos como “cidadãos comuns” e diz que as penas deveriam ser aplicadas como aquelas estipuladas a “baderneiros”.
“Cidadãos comuns, a Débora, por exemplo, que repetiu utilizando uma arma para alguns homens, bárbara, o batom, repetiu na estátua da justiça uma frase do presidente (do STF) e foi condenada a 14 anos (de prisão). Os envolvidos na baderna condenados a 20, 27 anos. Isso é pena para latrocida, para homicida, não para baderna, para depredadores. O que faltou em 8 de janeiro foi Estado, a repressão policial, mas paciência, falhou o Estado, nem por isso aqueles envolvidos que estavam muito mais na turba participando da fúria depredadora, podem ser condenados a exercer os anos todos de cadeia”, argumentou.
Marco Aurélio Mello ainda diz que o Supremo não é competente para julgar os “depredadores”. “Não cogito das distorções que vieram à tona que são distorções impensáveis sob a minha ótica, mas a competência do Supremo é direito estrito. Supremo não é competência para julgar os baderneiros de 8 de janeiro de 2023, como não é competente para julgar ex-presidente da República, ex-ministro do Estado”, completou.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Kátia Pereira é jornalista formada pelo Uni-BH e tem especialização em História e Cultura Política pela UFMG. Está na Itatiaia desde 2002. Desde 2005 é titular do Jornal da Itatiaia 1ª Edição. Também apresenta o Jornal da Itatiaia Tarde, é editora e apresentadora do Palavra Aberta e apresenta conteúdo no canal da Itatiaia no Youtube. Recebeu o Troféu Mulher Imprensa na categoria Âncora de Rádio. Tem passagens por Record TV Minas, Super Notícias/O Tempo e assessoria na Assembleia Legislativa




