Belo Horizonte
Itatiaia

Sudeste é a 2ª região com menos negros à frente de prefeituras

Negros e pardos estão à frente de apenas 28% das prefeituras brasileiras, mesmo compondo 55% da população

Por
Prefeitura de Belo Horizonte
Prefeitura de Belo Horizonte  • Adão de Souza

Em ano de eleição, é fundamental debater a baixa representação de pessoas negras nos poderes legislativos e executivos municipais.

Pessoas negras e pardas estão à frente de apenas 28% das prefeituras brasileiras, sendo a região Sul a mais desigual: de 24% da população negra que habita os três estados que compõem a região Sul, apenas 0,4% são eleitas para o executivo municipal.

É o que aponta a 2ª edição do Retrato das Desigualdades, do Observatório Brasileiro das Desigualdades.

Mesmo compondo 55% da população, de acordo com o Censo 2022, o estudo mostra que o problema não está concentrado no sul do país.

Na região Sudeste, a mais populosa do Brasil, 49% dos habitantes são pessoas negras ou pardas, e apenas 20% deles são eleitos para os cargos de prefeito e prefeita.

Segundo o relatório, para que o Sul tivesse o número de prefeitos adequado em relação à população negra, seriam necessárias seis vezes mais vitórias de candidatos negros nas urnas.

O Nordeste é a região com maior participação negra, tendo a região metropolitana de Maceió como a menos representada (0,34) e Sergipe como a de maior expressão de pretos e pardos (1,23).

PEC da Anistia pode prejudicar aumento de representação

Mudanças trazidas pela PEC 9/23, a chamada “PEC da Anistia”, aprovada pelo Senado em agosto, podem prejudicar o aumento do percentual de pessoas negras eleitas para o executivo municipal.

O dispositivo deixa de punir partidos que não atingiram a paridade racial – que os obrigava a destinar parte proporcional dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FECF) para as candidaturas negras – e as cotas de gênero – que exigiam um mínimo de 30% de mulheres candidatas.

Por

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.