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STF suspende passaporte de 'líder' de manifestação em BH

A decisão de Moraes, ainda sigilosa, aconteceu quando Esdras já estava em solo americano

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O empresário deve enfrentar outras disputas judiciais quando retornar ao país
O empresário deve enfrentar outras disputas judiciais quando retornar ao país • Naice Dias/Itatiaia

Um dos principais organizadores e incentivadores de manifestações contrárias a Lula (PT) em Belo Horizonte, o empresário Esdras dos Santos vai ter que retornar ao Brasil. A coluna apurou que o ministro Alexandre de Moraes aceitou um pedido para suspender o passaporte de Esdras.

A decisão de Moraes, ainda sigilosa, aconteceu quando Esdras já estava em solo americano. Ele deixou o Brasil na madrugada da última terça-feira (10), quando saiu de Confins para o Panamá, tendo como destino final Miami, nos Estados Unidos.

Esdras se tornou conhecido nacionalmente na sexta-feira (6), quando transmitiu pelas redes sociais ação da Prefeitura de Belo Horizonte para desmobilizar um acampamento de manifestantes em frente ao quartel da 4ª Região Militar, na avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte.

Depois da operação, Esdras chegou a acionar a Justiça para manter o acampamento e a manifestação no local. A Justiça em primeira instância deferiu o pedido, mas um recurso da Procuradoria de BH ao Supremo fez com que Esdras fosse impedido de retornar ao protesto e ainda pagasse multa.

A propósito, o empresário deve enfrentar outras disputas judiciais quando retornar ao país. Em vídeos publicados em sua página pessoal no Instagram - e excluídos nesta semana - Esdras pedia a colaboração de "homens fortes e guerreiros" para seguirem para Brasília.

Posicionamento

Procurada, a defesa de Esdras dos Santos ainda não se posicionou sobre a suspensão do passaporte. Na quarta-feira (11), o advogado que defende o empresário enviou posicionamento sobre a viagem para os Estados Unidos. Leia na íntegra:

"Quero deixar claro que o meu cliente nunca manifestou contra os resultados das eleições, muito pelo contrário, sempre reconheceu o resultado eleitoral, bem como o processo democrático.

A irresignação passa apenas pelo retorno de alguns políticos, que na história recente, estiveram envolvidos em grandes escândalos de corrupção e imoralidades. Vale dizer que, a mídia, equivocadamente, tenta imputá-lo em uma liderança de movimento antidemocrático, se quer dando o direito de respostas.

Importante também esclarecer que, Esdras sempre pautou pela legalidade, buscou o judiciário quando achou necessário,, igualmente, vem buscando amparo quanto as imputações caluniosas envolvendo seu nome.

Chamo atenção ao fato que, meu cliente, cumpriu imediatamente as ordens do Ministro Alexandre de Morais, quando da cassação da liminar do Juízo de Primeira Instancia.

Por último, quanto ao fato de estar fora do País, segundo informações de familiares, ele (Esdras) já vinha em depressão profunda, acabou agravada pelos últimos acontecimentos, sobretudo pelas ameaças que vinha sofrendo por parte de alguns eleitores , acrescido das imputações caluniosas.

Agora está em tratamento médico para melhorar sua saúde. Esperamos que recupere bem.

Advogado Paulo Henrique Carvalho Meira Passos."

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Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.