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'Se me procurar, eu digo não', afirma Bittar sobre indicação de Messias ao STF

Senador do Acre diz que chance de apoiar nome indicado por Lula é zero e que se Messias o procurar será uma ofensa

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Bittar suspendeu as férias para participar de caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira
Bittar suspendeu as férias para participar de caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira • Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Márcio Bittar (União Brasil-AC) afirmou que considera uma ofensa qualquer tentativa de aproximação para tratar da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.

Em entrevista exclusiva à Itatiaia durante a caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), Bittar declarou que não aceita diálogo sobre o tema e que seu voto será contrário à indicação.

Segundo o senador, Messias não representa um nome técnico ou independente para a Corte, mas sim um militante político alinhado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bittar afirmou que a chance de apoiar a indicação é “zero”.

“Se ele quiser falar comigo, não adianta. A chance de eu votar nele é zero”, disse.

Na avaliação do senador, a eventual chegada de Messias ao STF reforçaria o que ele classificou como um processo de partidarização do Supremo.

Bittar afirmou que o indicado atuaria como “soldado” político e “menino de recados” do governo, especialmente em episódios ligados à proteção institucional do presidente Lula.

“Ele é mais um militante, um soldado partidário. Não é uma indicação técnica”, afirmou.

Bittar também criticou o que chamou de alinhamento ideológico do Supremo Tribunal Federal e disse que a nomeação de Messias aprofundaria um desequilíbrio entre os Poderes. Para o senador, o perfil do advogado-geral não seria compatível com a Constituição, por defender um projeto político distinto do atual regime constitucional: “Como alguém que professa outro regime vai defender essa Constituição?”, questionou.

O senador ressaltou que Messias não o procurou para tratar da indicação, mas deixou claro que, caso isso ocorra, a resposta será negativa. Bittar afirmou já ter tornado pública sua posição contrária e disse que não vê possibilidade de mudança de voto.

Ao analisar o cenário no Senado, o parlamentar avaliou que o ano eleitoral pode dificultar a aprovação da indicação. Segundo ele, grande parte dos senadores estará em campanha pela reeleição e, por isso, mais sensível à opinião pública.

“Em ano eleitoral, os senadores ficam mais acessíveis ao que pensa a sociedade”, afirmou.

Suspensão das férias

Bittar afirmou ter cancelado as férias e interrompido o recesso parlamentar para participar da caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira.

Segundo Bittar, a decisão de estar presente no movimento é política e deliberada, diante do que ele classifica como um momento excepcional da vida institucional do país.

Para o senador, a mobilização passa por cima de agendas pessoais e exige posicionamento público de parlamentares alinhados ao campo conservador.

Ao justificar a presença, Bittar destacou que o ato representa uma reação ao que considera excessos e desequilíbrios institucionais.

A caminhada, liderada por Nikolas Ferreira, tem reunido deputados, senadores e lideranças políticas que defendem pautas ligadas à direita e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.