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Resposta para inteligência artificial não é econômica, mas política, diz Lula do G7

O chefe de Estado brasileiro falava sobre o avanço da tecnologia e os impactos que ele pode trazer tanto para as grandes economias, quanto para países em desenvolvimento

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante partida para a Ilha do Sal • Ricardo Stuckert / PR

A resposta para a inteligência artificial “não é econômica”, mas “política”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em discurso após o G7 na tarde desta quarta-feira (17). O chefe de Estado brasileiro falava sobre o avanço da tecnologia e os impactos que ele pode trazer tanto para as grandes economias, quanto para países em desenvolvimento.

“Até que ponto e até quando a inteligência humana vai controlar a inteligência artificial? Qual será o momento em que a inteligência artificial gritará independência e não precisará mais de ser humano? E que perigo ocorrerá no mundo quando isso acontecer? Poderia parecer uma coisa de ficção, mas é uma coisa que está muito próxima de acontecer”, declarou.

Lula contou que chegou a questionar empresários brasileiros sobre os impactos do avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho e sobre problemas jurídicos que podem surgir com essa tecnologia.

“Eu perguntei para os empresários desses países uma coisa muito, muito simples. Eu quero saber qual é o pensamento de vocês sobre essa questão desse mundo digital, se para vocês o crime digital pode ser tratado como o crime da vida real. Ou seja, uma agressão na vida real tem o código penal e tem punição. Isso vale no mundo digital? Uma violência contra um jovem no mundo real dá cadeia. Uma mentira no mundo digital vai dar cadeia? Ninguém tem resposta para isso ainda. Ninguém tem resposta, porque a resposta não é econômica. A resposta é política”, afirmou.

O presidente ainda cobrou ação dos líderes mundiais em relação às problemáticas trazidas pelas novas tecnologias. “Quem tem que dar resposta são os presidentes dos países, os primeiros ministros. Não é nem o dono dos bancos, não é nem o sistema financeiro, são os políticos que têm que dar”, defendeu.

Responsabilidade do Estado

Outro ponto trazido por Lula na discussão foi o papel do Estado no controle da inteligência artificial. Segundo ele, pode ser que recaia sobre os governos a responsabilidade de gerar empregos para o “mercado dos inúteis” que vai acontecer com a dominância tecnológica.

“Agora, quem vai gerar empregos para o chamado mercado dos inúteis que vai acontecer na humanidade? Aqueles que não sabem viver no mundo digital. Aí é preciso que o Estado assuma a responsabilidade que vai sobrar para o Estado. E aí, de vez em quando, aparece o discurso dizendo que não é preciso envolver a iniciativa privada no desenvolvimento. A iniciativa privada quer lucro. E ela sabe onde é lucro. Ela não vai gerar emprego. Ninguém vai fazer inteligência artificial imaginando gerar mais emprego, contratar mais gente. A mesma coisa quando a empresa investia em automação. Ela nunca colocou investimento em automação para gerar mais emprego, para gerar mais macacão. Não. Era para diminuir o número de trabalhadores. Era para aumentar a rentabilidade dela. A inteligência artificial vai servir para isso”, argumentou.

Por fim, o petista questionou o papel que países em desenvolvimento terão no cenário produtivo pós-IA. “Porque até um ano atrás, se vendia com muita facilidade a inteligência artificial, a necessidade de data center, que era o novo modelo da humanidade. Mas não se falava do preço da energia e do consumo de energia. Agora que se começa a falar que para você ter um data center, para produzir inteligência artificial, você tem que ter muita capacidade energética e, de preferência, energia renovável. Quem é que tem? Alguns países ricos. E os países pobres? Não tem energia nem para o consumo caseiro. Como é que vai investir dinheiro para fazer data center? Para tomar conta de que dados? Se as empresas privadas vão para os países gastar energia deles, quem é que vai ser responsável pelo banco de dados de cada país? Então, são problemas que se apresentam e que nós ainda não temos solução”, finalizou.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.