Quem é o deputado que quer usar documentário sobre Bolsonaro para fazer campanha de Flávio
Estratégia do parlamentar fluminense consiste em percorrer municípios do Rio de Janeiro utilizando carros de som

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou na noite desta quarta-feira, 15, durante a pré-estreia em Brasília, que pretende utilizar o documentário "A Colisão dos Destinos" como peça estratégica para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A obra, dirigida por Doriel Francisco, narra a trajetória de Jair Bolsonaro desde a infância e a vida militar até o atentado sofrido em Juiz de Fora (MG), em 2018.
A estratégia do parlamentar fluminense consiste em percorrer municípios do Rio de Janeiro utilizando carros de som durante o dia para convidar a população e, à noite, realizar exibições gratuitas do filme em praças públicas. Sóstenes argumenta que a iniciativa não configura propaganda eleitoral antecipada, classificando o documentário como uma "ferramenta de trabalho" legítima para o período de pré-campanha. O deputado defende que a exibição é legal e tem o potencial de emocionar o público ao apresentar a história do ex-presidente, a quem define como um homem admirado pelo Brasil.
Um dos pontos centrais da tese de Sóstenes é o fato de o documentário ter sido gravado em 2024, antes da condenação e prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, e também antes de sua declaração de inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para o líder do PL, o fato de a produção não estar atualizada com os eventos jurídicos recentes a torna uma ferramenta ainda mais eficaz para o atual momento político.
Entretanto, a manobra gera controvérsia jurídica. João Marcos Pedra, secretário-geral da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF, aponta um impasse entre a liberdade de expressão e as restrições da legislação eleitoral. Segundo o especialista, embora a exibição em si possa ser permitida, a tentativa de enaltecer a candidatura de Flávio Bolsonaro por meio da imagem do pai em praça pública pode ser interpretada pela Justiça Eleitoral como um ato ilícito.
O advogado ressalta que o risco reside na forma de divulgação e nos interesses implícitos da ação em um ano eleitoral, uma vez que a lei proíbe pedidos de voto e limita atos de campanha em locais públicos durante a pré-campanha. Pedra adverte que tal formato de evento pode ser reconhecido como conduta vedada, independentemente de o conteúdo do filme ser biográfico.
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