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PT e PL apoiam Motta, mas brigam pelo controle das comissões

Segundo o deputado Rogério Correia (PT-MG), o grupo apoia a reeleição de Hugo Motta e exclui PL e Novo. O PL tende a apoiar Motta, quer Rogério Marinho no comando do Senado e se reúne na quarta-feira (11) para definir a estratégia

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PT e PL apoiam Motta, mas brigam pelo controle das comissões
PT e PL apoiam Motta, mas brigam pelo controle das comissões • Oswaldo Diniz/Itatiaia

Passada a eleição, a disputa no Congresso agora é pelos espaços de poder da próxima legislatura. Na Câmara, o PT e partidos de centro e do centrão formaram um bloco parlamentar que apoia a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) e deixa de fora o PL, dono da maior bancada da Casa. Com isso, o PL corre o risco de perder a disputa pelas comissões mais importantes, entre elas a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

As informações sobre a articulação foram confirmadas pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG): "A bancada do PT já declarou apoio ao Hugo Motta, e nossa posição é formar um bloco para composição dos cargos de mesa e comissões, entre os partidos de esquerda e centro, sem PL e demais partidos de extrema direita, como o Novo", afirmou.

Segundo o deputado, o bloco reúne a federação formada por PT, PCdoB e PV e partidos como MDB, PSDB, PP e União Brasil. PDT e PSB também devem participar. PL e Novo não serão aceitos. Rogério Correia afirmou que o grupo já está formado e que a entrada de qualquer outro partido terá de ser aprovada por todas as legendas que já fazem parte dele.

O petista diz que a exclusão do PL tem um motivo político e um motivo prático. "O sentido é exatamente isolar o PL de quem tem as principais pedidas nas comissões", disse. Segundo ele, a estratégia garante "uma governabilidade mais tranquila" ao governo Lula.

Correia afirmou que a presença do PL em postos-chave, somada à oposição que o partido "está ensaiando" e às suas "ideias mais extremistas", dificultaria a tramitação dos projetos.

Como funciona "a regra do jogo"

A escolha das presidências das comissões na Câmara segue o tamanho dos blocos registrados no dia da posse dos deputados. Quanto maior o bloco, mais comissões ele preside e mais cedo escolhe.

Quem está num bloco grande escolhe primeiro e mais vezes. Quem fica de fora é contado sozinho, mesmo que tenha a maior bancada. Com isso, tende a escolher mais tarde, quando as comissões mais disputadas já foram ocupadas.

A CCJ costuma ser a primeira da lista. Ela analisa se as propostas respeitam a Constituição e é por onde passa a maior parte dos projetos da Casa. No PL, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) é apontado como interessado em presidir a comissão.

A estratégia da esquerda e do centrão

Pelas contas de Rogério Correia, o novo bloco deve garantir as três ou quatro primeiras escolhas: "As três primeiras pedidas incluem a CCJ, a de Finanças, talvez a de Fiscalização e Controle. Três ou quatro, tem que fazer o cálculo, são escolhidas dentro do nosso bloco. O PL só pede lá em quarto ou quinto lugar. Dessa forma, eles não conseguem ter a CCJ", explicou.

Para o PT, manter a CCJ com o partido ou com um aliado é prioridade: "Para nós é importante manter nos quatro anos", afirmou.

O plano do PL: Motta na Câmara, Marinho no Senado

Do outro lado, o PL tenta evitar o isolamento. A tendência é que o partido apoie a reeleição de Hugo Motta na Câmara. Em troca, deve insistir em comandar o Senado com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Antes de se aproximar de Motta, o partido chegou a avaliar uma candidatura própria à presidência da Câmara. Os nomes estudados foram o do líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o do atual vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ).

Oficialmente, a estratégia ainda não está fechada. Segundo uma fonte do partido ouvida pela reportagem, o PL marcou uma reunião para a próxima quarta-feira (11), às 11h, na sede da legenda em Brasília, para decidir como reagir à formação do bloco e à disputa pelas comissões.

Para Rogério Correia, porém, a aproximação com o bloco é improvável dos dois lados: "Para eles também é muito complicado entrar num bloco em que esteja o PT depois da derrota que tiveram. Então, na verdade, neste caso, os dois não querem", afirmou.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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