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PF: Jaques Wagner se aproximou de Daniel Vorcaro por intermédio de ex-sócio do Banco Master

Foram 74 ligações entre o ex-líder do governo no Senado Federal e Augusto Lima entre 2023 e 2025

Por e Brasília
Senador Jaques Wagner usou suas redes sociais para explicar voto a favor de PEC que restringe poder de ministros do STF
Senador Jaques Wagner usou suas redes sociais para explicar voto a favor de PEC que restringe poder de ministros do STF • Jonas Pereira/Agência Senado

A análise da Polícia Federal (PF) sobre a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro aponta a existência de diversos canais de interlocução para tratar de pautas legislativas e de operações de interesse do extinto Banco Master. Segundo os relatórios da investigação, a proximidade teria sido construída por meio da relação de confiança que o senador mantinha com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira.

Os documentos foram enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Compliance Zero e tornados públicos pelo ministro André Mendonça, relator do caso, na quinta-feira (30). De acordo com a PF, foram registradas 74 ligações entre o então líder do governo no Senado e Augusto Ferreira Lima, entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando cerca de cinco horas e 30 minutos de conversa.

Entre os registros analisados estão tratativas para o agendamento de reuniões no gabinete do senador. Em um dos encontros, segundo a investigação, também participou o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Após uma dessas reuniões, Augusto Ferreira Lima encaminhou a Jaques Wagner um link sobre a PEC 65/2023, proposta que altera a estrutura do Banco Central para obter mais autonomia e que, segundo a Polícia Federal, era de interesse dos proprietários do Banco Master.

A investigação sobre um suposto esquema de pagamento de vantagens indevidas envolvendo Daniel Vorcaro também cita a compra de um apartamento em Salvador que, de acordo com a PF, teria sido destinado ao senador Jaques Wagner como contrapartida pela defesa de interesses do empresário.

Os investigadores afirmam que a negociação teria mesmo modelo de compra de imóvel envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. As suspeitas são objeto de investigação e ainda não foram julgadas pela Justiça.

Nos relatórios, a PF descreve a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima como "longa e duradoura".

Monitoramento do parlamentar

Antes do cumprimento dos mandados de busca e apreensão contra endereços ligados ao senador e ao ex-sócio do Banco Master, o ministro André Mendonça autorizou que a Polícia Federal monitorasse, por dez dias, a linha telefônica utilizada por Jaques Wagner.

Na decisão, o ministro justificou a medida ao afirmar que havia um episódio que "agudiza os riscos de vazamento" da investigação.

Com a autorização, os investigadores tiveram acesso aos registros telefônicos, histórico de chamadas, identificação dos aparelhos, conexões de internet, estações de telefonia utilizadas pela linha e à localização aproximada do celular por meio das antenas das operadoras. A decisão não permitiu interceptação telefônica nem acesso ao conteúdo das conversas.

Defesa do senador

Jaques Wagner publicou, nesta sexta-feira (31), uma nota afirmando que provará sua inocência. Para ele, o episódio recente sobre o Banco Master tem os mesmos parâmetros de uma situação que ocorreu em 2018, também em ano eleitoral, sobre um desvio de superfaturamento na reconstrução e gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador. Veja a defesa na íntegra.

“Tenho certeza de que vou provar minha inocência”, diz Wagner sobre Master
O senador relembrou que, em 2018, também em ano eleitoral, ocorreu episódio semelhante no qual acabou inocentado

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou ter “certeza de que vai provar sua inocência” em meio às investigações que ligam seu nome ao Banco Master. Em entrevista à Rádio Baiana FM, nesta sexta-feira (31), Wagner reiterou que está “tranquilo” e que seu foco está voltado para as eleições de outubro. “O inquérito evidentemente demora um tempo. Agora, estou de olho na eleição, temos dois meses para ela acontecer, e sábado vai ser a nossa convenção com a presença do Lula”, disse.

Wagner lembrou que episódio semelhante ocorreu em 2018, também em ano eleitoral, quando foi candidato ao Senado Federal pela primeira vez. “Na época, era sobre a Fonte Nova. Abriram o inquérito, fizeram aquele barulho e, depois, eu não fui nem indiciado. Foi arquivado o processo, mas é óbvio que fica o prejuízo”, reconheceu o senador.

Durante a conversa, o senador citou uma frase do próprio ministro André Mendonça, na qual ele afirma que a investigação pode confirmar ou afastar hipóteses investigativas. Wagner pontuou também que as instituições responsáveis precisam ter liberdade para atuar. “A Polícia Federal que faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie e o magistrado vai julgar. Como diz o presidente Lula, ‘Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo’ - eu sei o que eu fiz e estou tranquilo”, finalizou.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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