Belo Horizonte
Itatiaia

Participação de Toffoli em julgamento sobre prisão de Vorcaro gera críticas de especialistas

Ministro deve integrar análise na Segunda Turma do STF que avaliará decisão de Mendonça que determinou a prisão do empresário

Por
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) • CARLOS ALVES MOURA/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve participar do julgamento que começa na próxima sexta-feira (13) sobre a manutenção da prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Toffoli integra a Segunda Turma da Corte, colegiado responsável por analisar se mantém ou revoga a decisão liminar — ou seja, provisória — do ministro André Mendonça que determinou a prisão do banqueiro.

Para o advogado criminalista Berlinque Cantelmo, a situação levanta um debate relevante sobre os limites da imparcialidade judicial. Segundo ele, o fato de o ministro ter deixado a relatoria após questionamentos sobre sua atuação pode gerar novos questionamentos sobre sua participação no julgamento.

“Quando um magistrado participa de um julgamento cuja condução já foi alvo de questionamentos, cria-se um ambiente propício para críticas e eventual contestação pública da decisão”, afirmou Cantelmo.

Já o doutor em Direito Antônio Gonçalves lembra que a Procuradoria-Geral da República tem a prerrogativa de pedir a suspeição de um ministro, o que não ocorreu neste caso.

“Como nenhum pedido chegou a ser analisado e o próprio Toffoli, que poderia se declarar impedido de ofício, não fez isso, ele está apto a participar da votação normalmente e não é obrigado a se declarar suspeito”, disse Gonçalves.

Toffoli deixou a relatoria do caso após decisão unânime dos ministros do STF, depois que a Polícia Federal encontrou, no celular de Daniel Vorcaro, mensagens que mencionariam o nome do ministro.

Na ocasião, os ministros afirmaram que “não era caso de cabimento para a arguição de suspeição”, reconheceram “a plena validade dos atos praticados pelo ministro Dias Toffoli” e manifestaram “apoio pessoal ao ministro, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou impedimento”.

Segundo apuração da Itatiaia, os diálogos encontrados pela Polícia Federal fariam referência a pagamentos e tratativas envolvendo o nome de Toffoli.

Por

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

Tópicos