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Orçamento de MG cita formação em laticínios e Vale do Lítio em ações para mulheres violentadas

Lista de ações para a política de atendimento à mulher vítima de violência destina recursos a ações que não têm uma relação direta com o tema

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Realidade de aumento da violência contra a mulher é apontada pelos dados coletados no sistema de saúde
Ações de enfrentamento à violência contra a mulher estão misturadas com medidas que não tratam diretamente do tema • Marcelo CamargoAgência Brasil

No orçamento de 2026, o Governo de Minas incluiu recursos milionários sob o guarda-chuva da política de atendimento à mulher vítima de violência no estado sem relação direta com o tema. 

 

Na listagem de ações, estão programas como a formação superior em laticínios agropecuários; encargos com pensionistas; formação e capacitação; administração da carteira de financiamentos no âmbito do Fundo Estadual de Habitação (FEH); e até mesmo investimentos no Vale do Lítio. Segundo o Executivo, o fato reflete o caráter transversal da política de enfrentamento à violência contra a mulher.

 

Na última semana, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), documento que estabelece uma orientação para a formulação do orçamento do próximo ano. 

 

Em meio às discussões sobre o tema, a oposição levantou questionamentos sobre a forma como os recursos foram dispostos para 2026 sob a rubrica da política de atendimento à mulher vítima de violência no estado. A preocupação foi manifestada em tom de alerta para que o caso não se repita na Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2027.

 

A Itatiaia consultou os documentos e levantou que, no total, o Governo de Minas destinou R$ 21,5 bilhões para a política de atendimento à mulher vítima de violência no estado. Deste total, as ações diretamente relacionadas (DR) ao tema somam R$ 3,5 bilhões, enquanto as indiretamente relacionadas (IR) somam R$ 18 bilhões, quase três vezes mais.

 

Algumas das cifras com menos relação com o tema da violência contra a mulher são:

 

  • Formação superior em laticínios e agropecuária de precisão - R$ 36.411.176; 
  • Encargos com pensionistas -  R$ 2.284.772.810;
  • Formação e capacitação - R$ 2.737.937; 
  • Administração da carteira de financiamentos no âmbito do fundo estadual de habitação- R$ 19.823.595; 
  • Recebimento, análise e tratamento de manifestações - R$ 616.114; 
  • Vale do Lítio - R$ 51.001;
  • Divulgação turística de Minas Gerais - R$ 1.546.073

 

Em entrevista no dia 15 de julho, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) questionou o enquadramento desses investimentos como parte da política de atendimento a mulheres vítimas de violência.

 

“Vale do Lítio é uma região que sequer tem delegacia das mulheres, eu sei disso porque inclusive eu indico emenda parlamentar para viatura para Polícia Militar fazer enfrentamento à violência contra as mulheres. E está lá, está colocado como despesas relacionadas ao enfrentamento contra as mulheres. Quase R$ 3 bilhões de despesas com pensionistas como despesas de enfrentamento à violência contra a mulher; formação superior em laticínios apresentado legalmente como se fosse despesas relacionadas à enfrentamento à violência contra a mulher [...] Eu acho que merece a atenção da sociedade e do próprio parlamento”, destacou.

 

O que diz o Governo de Minas

 

Em nota enviada à reportagem, o Governo de Minas informou que os valores listados como diretamente relacionados (DR) correspondem a ações em que a finalidade principal é o enfrentamento à violência contra a mulher; já as identificadas como indiretamente relacionados (IR) contribuem para o objetivo a partir de políticas públicas para a prevenção da violência, a redução de vulnerabilidades, a promoção da autonomia das mulheres e o fortalecimento da rede de proteção.

 

Também segundo o Executivo, a diferença entre os montantes se dá pelo caráter transversal da política de enfrentamento à violência contra a mulher

 

Leia abaixo a nota na íntegra:

 

O Governo de Minas esclarece que os valores classificados como diretamente relacionados (DR) correspondem às ações cuja finalidade principal é o enfrentamento da violência contra a mulher, a proteção das vítimas e a promoção de seus direitos, como a manutenção de estruturas de atendimento especializado, acolhimento, prevenção, proteção e articulação da rede de enfrentamento.

 

Os valores classificados como indiretamente relacionados (IR) abrangem políticas públicas que contribuem para a prevenção da violência, a redução de vulnerabilidades, a promoção da autonomia das mulheres e o fortalecimento da rede de proteção.

 

Nessa classificação estão incluídas iniciativas das áreas de segurança pública, saúde, assistência social, educação, qualificação profissional, habitação, empregabilidade, cidadania e acesso a serviços públicos.

 

A diferença entre os montantes reflete o caráter transversal da política de enfrentamento à violência contra a mulher. Além das ações voltadas especificamente para essa finalidade, o Estado desenvolve programas que ampliam o acesso das mulheres a direitos, serviços e oportunidades, fortalecendo fatores de proteção e contribuindo para a prevenção da violência.

 

Os valores apresentados representam o orçamento total dessas ações, contemplando custeio, investimentos e despesas com pessoal. Dessa forma, a classificação evidencia a contribuição de cada política pública para o enfrentamento da violência contra a mulher, sem estabelecer que a integralidade dos recursos tenha destinação exclusiva a esse público.

 

O critério de classificação é definido durante a elaboração do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) e da Lei Orçamentária Anual (LOA). Nesse processo, cada órgão e entidade informa, no Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento (SIGPlan), o grau de relação de cada ação com essa política pública, classificando-a como direta, indireta ou não relacionada.

 

Essa metodologia permite monitorar a transversalidade das políticas públicas e identificar como diferentes áreas do Governo de Minas contribuem para a proteção, a promoção dos direitos e a autonomia das mulheres.

 

Por fim, a Lei Orçamentária Anual (LOA) é apreciada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde tramita pelas comissões temáticas, é votada em Plenário e posteriormente encaminhada para sanção do governador.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

 

 

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