Itatiaia

Moraes cita suposta interferência estrangeira em relatório da PF sobre relação com Vorcaro

Ministro do STF afirma que documento foi produzido com auxílio de órgão externo e direcionamento de André Mendonça

Por
Ministro Alexandre de Moraes e ministro André Mendonça durante sessão plenária do STF
Ministro Alexandre de Moraes e ministro André Mendonça durante sessão plenária do STF • Antonio Augusto/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na noite dessa segunda-feira (14) que o relatório da Polícia Federal (PF) que revela sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, é falso. O magistrado sugere que o documento tenha sido produzido por órgão externo, citando uma suposta tentativa de interferência estrangeira nas eleições.

Segundo o magistrado, as informações contidas no documento não podem ser alvo de controle de veracidade e nem auditáveis. Moraes afirma que houve uma “quebra da cadeia de custódia” que permitiu inserir arquivos falsos, mensagens em “blocos de nota”, dentre outras irregularidades.

Ele declara ainda que o material do celular de Vorcaro foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, sem a “observância dos procedimentos mínimos de segurança, como indicado nos relatórios de inteligência da Polícia Federal e, também, se permite acesso a terceiro, possivelmente autoridades estrangeiras”.

“A leitura dos metadados, a eventual correlação temporal, a atribuição de suposta autoria das mensagens, a identificação de eventuais destinatários realizados no relatório NÃO É TRABALHO DE PERÍCIA, mas sim trabalho de análise subjetiva produzido determinação e direcionamento do Ministro relator, André Mendonça, ou seja, são ilações sem nenhuma comprovação técnica-científica”, escreveu Moraes.

O magistrado também destacou que o prazo de elaboração do relatório foi de 72 horas, o que seria impossível para o documento, mas que os “metadados” comprovam que a peça não foi produzida efetivamente pela Polícia Federal, mas por “agentes externos”.

“O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o Juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um Golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito”, escreveu.

Nesta terça-feira (15), o plenário do STF se reúne para analisar o relatório divulgado por Mendonça no início de setembro. No documento, a PF aponta que Moraes teria editado um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Master. O magistrado também teria sido consultado por Vorcaro dois dias antes do banqueiro ser preso enquanto tentava deixar o país.

Por

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

Belo Horizonte