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Mendonça mantém sob sigilo investigação sobre financiamento de “Dark Horse”

Apesar de abrir 14 procedimentos do caso Master, ministro preserva apuração sobre repasses de Vorcaro para filme de Bolsonaro

PorBrasília
Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. • Foto por CHARLES SHOLL / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de 14 procedimentos relacionados às investigações sobre o Banco Master, mas manteve sob segredo de Justiça uma das frentes que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro: a apuração sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação busca esclarecer repasses atribuídos a Vorcaro para um fundo de investimentos nos Estados Unidos que teria sido utilizado para financiar a produção do filme. A apuração permanece fechada mesmo após a decisão de Mendonça de ampliar o acesso a parte dos documentos do caso Master.

A investigação sobre “Dark Horse” ganhou novos elementos nesta semana. Mendonça homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado como operador financeiro de Vorcaro.

Segundo as informações divulgadas sobre a colaboração, Freixo Júnior teria sido responsável por transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, que tem ligação com Eduardo Bolsonaro.

A Polícia Federal apura a origem e o destino dos recursos e busca esclarecer se as operações internacionais tiveram outras finalidades além do financiamento da produção cinematográfica.

De acordo com a investigação, o filme teria orçamento estimado em cerca de US$ 13 milhões, dos quais aproximadamente 92% teriam sido bancados por recursos ligados a Vorcaro. Os envolvidos negam irregularidades.

Outras investigações também continuam fechadas

Além do caso “Dark Horse”, Mendonça manteve sob sigilo outras frentes das investigações sobre o Banco Master.

Entre elas está a apuração sobre uma possível relação entre o senador Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco.

Também continua protegida uma investigação da Polícia Federal envolvendo Antônio Rueda e ACM Neto, cujo conteúdo foi encaminhado em um relatório de inteligência ao ministro Alexandre de Moraes.

A decisão de Mendonça, portanto, não representa a abertura completa do caso Master. O ministro liberou documentos considerados compatíveis com a preservação das diligências ainda em andamento, enquanto manteve sob sigilo informações consideradas sensíveis.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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