Matar Marielle significava eliminar ‘obstáculo’ para irmãos Brazão, diz PGR em denúncia
Conselheiro do TCE-RJ e deputado federal viram em Marielle principal opositora para interesses econômicos

Os movimentos políticos e a posição combativa da vereadora Marielle Franco (PSOL) a tornaram a “principal opositora e o mais ativo símbolo da resistência” aos interesses econômicos dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. Matá-la significava eliminar de vez um “obstáculo” e, ao mesmo tempo, fazer com que outros políticos de oposição não quisessem copiar o comportamento dela.
É o que diz a Procuradoria-Geral da República (PGR) na denúncia formalmente enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito contra o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e o deputado federal. No documento, enviado na terça-feira (7), o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, também implicou o delegado Rivaldo Barbosa e o major Ronald Paulo de Alves Pereira pelo homicídio.
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Consta na denúncia que, desde o ano 2000, Domingos e Chiquinho Brazão integram uma organização criminosa armada, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas.
“Qualquer embate ou disputa nesse campo específico da política municipal representava, portanto, uma ameaça a seus negócios e a dos diferentes grupos de milícias com os quais se associaram. Foi por isso que as iniciativas políticas do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e, mais tarde, de Marielle Francisco da Silva, em assuntos ligados ao tema, tomaram-se um sério problema para os denunciados”, diz o documento.
Os primeiros confrontos entre Marielle e os irmãos Brazão começaram em 2017, já no primeiro ano dela como vereadora. “Foram nas divergências sobre as políticas urbanísticas e habitacionais que os irmãos Brazão perceberam a necessidade de executar a vereadora. Se antes João Francisco aprovava sem dificuldades as suas pautas de interesse, a chegada de Marielle mudou radicalmente esse quadro”, diz a PGR, completando:
“Marielle se tornou, portanto, a principal opositora e o mais ativo símbolo da resistência aos interesses econômicos dos irmãos. Matá-la significava eliminar de vez o obstáculo e, ao mesmo tempo, dissuadir outros políticos do grupo de oposição a imitar-lhe a postura.”
No fim da tarde desta quinta-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do inquérito sobre o assassinato de Marielle.
É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.



