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Marco Rubio responde a Flávio Bolsonaro que não haverá suspensão de tarifas

Em troca de cartas, Rubio caracterizou as políticas comerciais brasileiras de irracionais e descriminatórias, por isso precisam ser reavaliadas em consulta pública

PorBrasília
Marco Rubio e Flávio Bolsonaro se correspondem por carta sobre tarifaço • Instagram/Reprodução

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro que o presidente Donald Trump não pretende suspender as novas tarifas impostas ao Brasil. A manifestação foi enviada em resposta à carta encaminhada pelo gabinete do senador no início de junho.

O documento de Rubio chegou na última terça-feira (23) e foi publicado com exclusividade pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Na carta, Flávio Bolsonaro argumenta que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos recai como "um peso sobre as famílias comuns". O senador também apresenta indicadores econômicos para relacionar o aumento da dívida pública à gestão do governo federal. As informações foram repassadas sem informar as fontes dos dados. 

"O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes, quase metade da população adulta, com o pagamento de dívidas consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar", diz o documento, que, segundo Flávio, foi escrito pessoalmente por ele.

O senador também afirma que, caso seja eleito presidente em outubro, pretende redefinir as relações entre Brasília e Washington. Além disso, promete colocar à disposição uma equipe de transição para "concluir um amplo acordo de comércio e investimento benéfico para ambas as nossas nações".

Relações comerciais injustas

Na resposta, Marco Rubio afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a trabalhar com "líderes escolhidos pelo povo brasileiro" para construir um acordo comercial e de investimentos "amplo, justo e mutuamente benéfico". 

No entanto, ressaltou que, na avaliação do Representante de Comércio dos Estados Unidos, a abertura de uma consulta pública, isso permite que as partes interessadas em reaver a decisão apresente argumentos, dados ou contestações sobre a ação proposta. Segundo ele, essa é a medida mais adequada neste momento e o processo está aberto à participação do Brasil, inclusive para a audiência pública marcada para o dia 6 de julho.

Rubio também afirmou que determinadas políticas e práticas adotadas pelo Brasil são "irracionais ou discriminatórias" e que elas "sobrecarregam ou restringem o comércio dos Estados Unidos".

Organizações criminosas

Na carta enviada ao secretário de Estado, Flávio Bolsonaro também elogiou a decisão do governo norte-americano de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Sem apresentar dados, o senador afirmou que a medida foi comemorada por grande parte dos brasileiros, embora não tenha agradado ao governo federal.

Em resposta, Rubio disse que os Estados Unidos estão cientes de como a violência e as redes criminosas sofisticadas dessas facções representam uma ameaça à população.

"Estamos tomando ações decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano do crime organizado transnacional", afirmou.

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