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Brasil intensifica negociações para tentar reduzir tarifa dos EUA antes de 15 de julho

Governo afirma que apresentou propostas concretas e mantém expectativa de acordo para evitar novas barreiras comerciais

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Márcio Elias Rosa é o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços • Mdic

O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar reduzir ou reverter parte das tarifas comerciais que podem ser aplicadas a produtos brasileiros. O prazo considerado decisivo é 15 de julho, data prevista para a conclusão da análise conduzida pelas autoridades americanas no âmbito da chamada Seção 301, mecanismo utilizado para investigar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.

Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (24), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio França Rosa, afirmou que o Brasil trabalha para concluir um acordo antes da decisão final do governo americano. Segundo o ministro, as equipes técnicas dos dois países mantêm reuniões frequentes e já discutem medidas concretas para ampliar a presença de produtos norte-americanos no mercado brasileiro sem gerar impactos negativos para a indústria nacional: "O Brasil já apresentou de que modo é possível expandir a participação dos produtos e bens e serviços norte-americanos na economia doméstica sem causar dano para o Brasil", afirmou.

De acordo com Rosa, o governo brasileiro identificou setores nos quais seria possível promover ajustes tarifários e ampliar o comércio bilateral. O objetivo é demonstrar aos Estados Unidos que há espaço para avanços comerciais sem necessidade de novas sanções.

De acordo com Rosa, o governo identificou setores específicos nos quais seria possível promover ajustes tarifários e ampliar a entrada de produtos americanos no mercado brasileiro. A estratégia busca demonstrar aos Estados Unidos disposição para ampliar o comércio bilateral sem comprometer a indústria nacional.

Um dos principais pontos da negociação envolve a alegação americana de que acordos preferenciais firmados pelo Mercosul com países como México e Índia estariam prejudicando exportadores dos Estados Unidos.

Segundo o ministro, a equipe brasileira tenta demonstrar que essas parcerias não causam os prejuízos apontados por Washington: "Nessas reuniões, a gente tem discutido isso, tentando mostrar que as linhas tarifárias com o México ou com a Índia não causam dano aos Estados Unidos", disse.

Além disso, o Brasil apresentou uma lista de produtos em que seria possível realizar um realinhamento tarifário para ampliar a participação americana nas exportações para o país. As negociações, porém, enfrentam desafios técnicos. Um deles é a diferença entre os sistemas de classificação de mercadorias utilizados pelos dois países, o que exige um trabalho detalhado de compatibilização entre as equipes: "As equipes técnicas têm se reunido semanalmente para discutir exatamente isso", explicou o ministro.

Governo tenta barrar sobretaxa de 25%

O principal objetivo do governo é evitar a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo Márcio Rosa, uma tarifa adicional de 12,5% aplicada a dezenas de países deve ser mantida, mas a cobrança específica direcionada ao Brasil ainda está em negociação: "A de 25% é que nós estamos tentando recuar, reduzir. E eu sou otimista. O negociador sem otimismo é um derrotado", afirmou.

O ministro destacou que o governo Lula mantém a estratégia de diálogo permanente com Washington e evita qualquer sinalização de rompimento das conversas: "O presidente Lula diz o seguinte o tempo todo: o Brasil não sai da mesa de negociação", relatou.

Críticas a Bolsonaro e impacto político

Durante a entrevista, Márcio Rosa também associou o agravamento das tensões comerciais à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos.

Sem citar diretamente Eduardo Bolsonaro, o ministro afirmou que movimentos políticos realizados junto ao governo americano acabaram dificultando as negociações comerciais:"A cada visita de um Bolsonaro à Casa Branca, quem paga a conta é o povo brasileiro", declarou. Segundo ele, houve uma tentativa de politização de um tema que deveria permanecer restrito ao campo econômico e comercial.

O ministro lembrou que, em 2025, o Brasil conseguiu reverter parte significativa das tarifas inicialmente propostas pelos Estados Unidos após negociações conduzidas em parceria com o setor produtivo:"Entre julho e dezembro nós conseguimos excluir mais de 40% das tarifas. Foi um trabalho em conjunto com o setor privado e de convencimento do outro lado", afirmou.

A expectativa do governo é repetir a estratégia nas próximas semanas para evitar perdas para exportadores brasileiros e preservar o acesso ao principal mercado consumidor do mundo.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.