Mais partidos pedem investigação ao TSE sobre declarações de Flávio Bolsonaro
Também foram incluídos o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC)

Além do Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV), que integram a Federação Brasil da Esperança, também apresentaram uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por declarações sobre as urnas eletrônicas.
A representação foi protocolada ontem (22), no tribunal. Os partidos sustentam que as declarações repetem a estratégia adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmam que Flávio Bolsonaro tem conhecimento da "natureza ilícita" da conduta, uma vez que o tema já foi analisado e esclarecido reiteradamente pela Justiça Eleitoral. Ainda assim, segundo a ação, o senador voltou a divulgar as alegações.
"Não é possível fechar os olhos para os efeitos antidemocráticos de discursos violentos e de mentiras que coloquem em xeque a credibilidade da Justiça Eleitoral", afirma um trecho da representação.
Também foram incluídos na ação o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC). Os partidos alegam que eles integram um "movimento coordenado" de desinformação.
A federação pede a remoção imediata de conteúdos que, segundo os partidos, disseminam informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação por fazerem parte de um "movimento articulado de desinformação contra a integridade do sistema eletrônico de votação".
O documento protocolado no TSE também pede que Meta, X, Google, TikTok e Rumble sejam responsabilizadas pela adoção de medidas para impedir a disseminação e o impulsionamento desse tipo de conteúdo. As legendas solicitam ainda a aplicação de multa de R$ 30 mil às plataformas em caso de descumprimento da eventual decisão judicial.
Reunião com representantes estrangeiros
A representação foi motivada por declarações de Flávio Bolsonaro durante o evento "Debatendo o Brasil", que reuniu cerca de 42 representantes diplomáticos de países e organizações internacionais nesta semana. Na ocasião, o senador afirmou que a programação das urnas eletrônicas brasileiras teria sido desenvolvida por uma empresa venezuelana.
"[Flávio] afirmou, textualmente, que muitas das urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras 'têm a mesma origem' da empresa venezuelana Smartmatic — sociedade mencionada no documento da CIA como suposta responsável por uma arquitetura de fraude no processo eleitoral venezuelano — e solicitou aos diplomatas presentes que seus respectivos países enviassem o maior número possível de observadores internacionais para acompanhar o pleito de outubro de 2026", diz a representação.
Flávio Bolsonaro também foi intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prestar depoimento à Polícia Federal (PF) em outro caso envolvendo a Venezuela. A investigação apura uma publicação feita pelo senador nas redes sociais em que ele associou, sem apresentar provas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos supostos crimes de tráfico internacional de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro. A Polícia Federal apontou indícios da prática do crime de calúnia na postagem.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



