Lula volta a negar classificar facções como terroristas: ‘Terrorismo foi o 8 de janeiro’
Presidente disse não aceitar a 'ideia' de facções como terroristas e afirmou que elas não brigam pelo poder do estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a criticar a ideia de classificar facções criminosas como organizações terroristas, difundida em parte da direita e endossada por Donald Trump. Durante um evento para apresentar ações integradas na segurança pública do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (18), o petista disse que “terrorismo” foram os ataques do 8 de janeiro de 2023.
“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, ele não fala da luta e da briga pelo poder. Quem fazia isso? O Bolsonaro tentando dar o golpe no 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Isso é terrorismo de Estado", declarou.
Porém, Lula disse ainda que as facções acabam tendo efeitos semelhantes ao de terroristas para os moradores de áreas dominadas pelo crime organizado. “Esses bandidos são terroristas para a família que mora no bairro”, afirmou o presidente.
Na quarta-feira (16), os Trump enviou um documento ao Congresso americano citando o Brasil como um dos países que teria falhado em adotar medidas contra as organizações criminosas e o tráfico de drogas, citando especificamente os grupos Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os EUA, as organizações transformaram o Brasil em um dos principais centros do fluxo global de cocaína. O texto ressalta que as duas organizações representam uma ameaça à paz e à segurança mundial. Essa manifestação está na lista anual dos países identificados como maiores produtores e de trânsito de drogas. Apesar do Brasil não integrar o grupo de 23 nações citadas, o país foi objeto de críticas laterais no documento.
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) rebateu as alegações americanas. “O governo brasileiro refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional”, disse.
Segundo a nota do governo Lula, o documento desconsidera os esforços do país no combate ao crime organizado, como a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, e que prevê penas mais severas para líderes de organizações criminosas e cria mecanismos para asfixiar as operações. A pasta ainda destaca que os EUA não levam em consideração as operações de combate ao crime.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



