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Celular de Vorcaro expõe citações a ministros e aumenta tensão dentro do STF

Conteúdo entregue pela PF a integrantes da Corte reúne referências a diferentes ministros e amplia a disputa em torno do caso Master

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Foto: Divulgação Banco Master.

A divulgação de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, aumentou a tensão entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo entregue pela Polícia Federal aos gabinetes passou a revelar referências a diferentes integrantes da Corte, em meio à crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.

A íntegra dos dados foi disponibilizada pela PF após pedidos de ministros que queriam consultar diretamente o material. Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes tiveram acesso ao conteúdo na segunda-feira (14). Na sequência, André Mendonça e Luiz Fux também solicitaram os dados e receberam cópias na quinta-feira (17). Kassio Nunes Marques igualmente pediu acesso ao material.

A movimentação ocorre em um momento de forte disputa interna no Supremo, especialmente após o julgamento que discutiria a abertura de uma investigação envolvendo Moraes e supostas conversas com Vorcaro. A sessão foi interrompida depois de um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O caso ganhou repercussão após um relatório da PF apontar mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído a Moraes. A investigação também cita um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

Com a ampliação do acesso aos dados do aparelho, porém, outras referências a integrantes do STF vieram à tona. Durante a sessão de terça-feira (15), Flávio Dino mencionou conversas relacionadas a André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

Após a sessão, Mendonça e Fux solicitaram acesso ao conteúdo integral. A PF entregou os dados aos dois ministros na quinta-feira (17).

Entre as informações que vieram a público estão mensagens recuperadas pela investigação, nas quais Vorcaro teria custeado, durante o Carnaval de 2025, a hospedagem de um ministro identificado pelas iniciais “KN” em uma mansão no Rio de Janeiro. Investigadores levantaram a possibilidade de a referência ser a Nunes Marques. O gabinete do ministro negou contato por mensagens com Vorcaro e afirmou que ele nunca solicitou benefício ao empresário.

Também foi revelado um encontro entre Vorcaro e Gilmar Mendes, realizado em abril de 2024 no gabinete do ministro no STF. Segundo Gilmar, a reunião ocorreu em caráter institucional, com participação de advogados do Banco Master, e tratou de uma questão relacionada ao setor sucroalcooleiro. O ministro afirmou ainda que seus votos nos processos relacionados ao tema foram contrários aos interesses ligados ao banco.

Disputa pelo acesso

A discussão sobre quem poderia consultar os dados do celular começou antes mesmo da sessão de 15 de setembro. Cristiano Zanin havia solicitado o conteúdo a André Mendonça, relator do caso Master, no dia 11.

Mendonça respondeu que os dados estavam sob custódia da Polícia Federal e que a cópia encaminhada ao seu gabinete permanecia lacrada. O ministro sustentou que os elementos necessários para a análise do processo já estavam disponíveis e que a divulgação integral do conteúdo poderia interferir na sessão.

Zanin recorreu a Edson Fachin, presidente do STF. Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes também pediram acesso aos dados.

A situação mudou depois que a PF informou a Fachin que poderia fornecer cópias do material aos ministros sem comprometer a cadeia de custódia. Com isso, os gabinetes passaram a receber versões idênticas dos dados extraídos do celular de Vorcaro.

A partir da liberação, novas mensagens e referências passaram a circular entre os ministros, alimentando a disputa interna sobre a condução do caso e sobre o alcance das relações mantidas por Vorcaro com integrantes do Supremo.

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