Lula intensifica articulação por vagas ao Senado na reta final antes das convenções
Presidente atua para fechar chapas nos estados e ampliar base aliada em disputa considerada estratégica para um eventual novo mandato

A menos de uma semana do início das convenções partidárias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as articulações para definir as candidaturas ao Senado da base governista nos estados. A avaliação do Palácio do Planalto é que ampliar a bancada aliada vai ajudar a garantir governabilidade a partir de 2027, caso o petista seja reeleito.
Neste ano, dois terços do Senado serão renovados. Ao todo, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa nas eleições de outubro, tornando a corrida pela Casa Alta uma das principais prioridades dos partidos e das principais lideranças políticas do país.
Nos últimos dias, Lula participou diretamente de negociações para fechar acordos em diferentes estados. Um dos principais foi o Ceará, onde o presidente articulou e conseguiu que o senador Cid Gomes (PSB) concorra à reeleição na chapa do governador Elmano de Freitas (PT). A segunda vaga ao Senado na aliança governista ainda segue em negociação.
O presidente também tem participado de reuniões com dirigentes partidários para resolver impasses em estados onde ainda há disputa entre aliados pelas vagas ao Senado. A estratégia é reduzir conflitos internos antes das convenções e evitar divisões que possam enfraquecer os palanques estaduais durante a campanha.
As convenções partidárias serão realizadas entre os dias 20 de julho e 5 de agosto. Nesse período, partidos e federações oficializam os candidatos que disputarão os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.
No caso do PT, a convenção nacional está marcada para o dia 2 de agosto, em São Paulo, quando a legenda deve oficializar a candidatura de Lula à reeleição. A expectativa é que Geraldo Alckmin (PSB) seja novamente confirmado como candidato a vice-presidente na chapa governista.
Nos bastidores, a avaliação do Planalto é que uma definição antecipada das chapas ao Senado pode reduzir disputas internas entre partidos aliados e fortalecer os palanques estaduais. O governo também considera que ampliar a bancada no Senado será decisivo para facilitar a aprovação de projetos considerados prioritários em um eventual novo mandato de Lula, o que facilitaria também as negociações com à Presidência do Congresso Nacional, que hoje é ocupada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP).
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



