‘Não existe desaparecimento de bens do Palácio Mangabeiras’, diz presidente da Codemge na ALMG
Luísa Barreto, diretora da Codemge, participou de audiência na ALMG e apresentou informações sobre bens que estavam no Palácio das Mangabeiras

A diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemge), Luísa Barreto, participou nesta quinta-feira (16), de uma audiência da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa e rebateu as acusações de alguns parlamentares da oposição sobre um suposto desaparecimento de dezenas de itens do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial do governador.
Parlamentares da oposição questionam o governo de Minas sobre a falta de informações sobre mais de 60 itens. O deputado Leleco Pimentel (PT) afirmou que o destino de vários itens não foram informados durante visita ao local.
“Estamos falando de patrimônio material e imaterial do estado de Minas Gerais. Não se trata de guerrilha política por ocasião das eleições. Nós estamos fiscalizando, função desta Assembleia Legislativa”, afirmou Leleco.
A reunião teve bate-bocas entre deputados de oposição e da base do governo, com troca de alfinetadas e provocações entre Professor Cleiton (PV) e Beatriz Cerqueira (PT), da oposição, e Duarte Bechir (PSD), da base governista.
“Antes de perguntar ao estado, quiseram ir à Polícia Federal, tentaram politizar esse tema, com se os bens tivessem sido retirados do palácio. O governo está aqui para trazer todas as informações, mesmo com todas ironias e agressões de alguns deputados”, afirmou Bechir. “Então me leve para o conselho de ética”, rebateu Cleiton.
Explicações da Codemge
Coube à diretora da Codemge, Luísa Barreto, apresentar as destinações dos quadros, móveis, tapetes e utensílios do Palácio Mangabeiras que foram questionados pelos deputados de oposição.
“Nosso dever e obrigação é trazer todas as informações, com transparência e muita tranquilidade. Qualquer ponto que fique aberto, terei prazer de responder. Vou começar com alguns fatos importantes: não existe desaparecimento de bens, todos estão armazenados e inventariados. Estão todos distribuídos entre os órgãos públicos. Temos o inventário, o que fizemos foi a sistematização e organização das informações”, afirmou Luísa Barreto.
“Em 2017, 222 itens que eram considerados inservíveis foram leiloados pelo Gabinete Militar do Governador. Naturalmente algumas coisas se desgastam no tempo, isso acontece na nossa casa, mesmo cuidando muito bem das coisas. Em 2019, primeiro ano do governador Romeu Zema, em junho a gestão é transferida para a Codemge. O palácio é parte da administração direta, a Codemge é responsável pela gestão, mas ele continua patrimônio do estado. Em 2022 passa a funcionar como Parque do Palácio. Eu nunca tinha entrado no Palácio até que ele se tornasse público. De 2022 até 2026 foram 185 mil visitantes, em mais de 230 eventos”, continuou Barreto.
De residência oficial a espaço de eventos
Inaugurado em 1955, o Palácio das Mangabeiras abrigou 17 governadores mineiros. Em 2019, o imóvel deixou de ser moradia oficial e passou a ser gerido pela Codemge para fins culturais e turísticos. Atualmente, o local é administrado por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) e utilizado para a realização de eventos públicos e privados.
'Estamos mais preocupados', diz deputado do PT
Após a audiência, o deputado Leleco Pimentel afirmou que as explicações da diretora-presidente não foram suficientes e que ele pretende levar os questionamentos ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público.
"Com muita ironia, o governo veio à ALMG para criar uma celeuma e fingir nos parabenizar. Nós estamos muito mais preocupados. Não são 63 itens, são mais de 4 mil. Trouxeram um documento, um rascunho de julho de 2019, não entregaram o inventário dos bens, o que é o pressuposto para comparar. Tem quadro que desapareceu", afirmou o deputado Leleco Pimentel.
Questionado sobre quais itens não tiveram o paradeiro esclarecido, o petista afirmou que o destino de quadros continua um mistério: "Nós questionamos alguns quadros, algumas obras raras, vamos ter que fazer uma listagem para comparar".
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.



