União Progressista considera lançar Marcelo Aro ao governo
Candidatura deixaria Mateus Simões isolado, aumentando a pressão para forçar o governador a trabalhar, dentro do PSD, para rifar Carlos Viana (PSD) na corrida ao Senado. Aro também trabalha para assumir a coordenação da federação, que havia sido prometida a Álvaro Damião

Com a proximidade das convenções partidárias, o ex-secretário de governo, Marcelo Aro (PP), intensifica a pressão sobre Mateus Simões para que ele lance ao mar o senador Carlos Viana, filiado ao PSD e, como Aro, também pré-candidato ao Senado. Marcelo Aro sente-se ameaçado pelo adversário político na mesma chapa majoritária, ocupando a segunda vaga indicada pela coligação para concorrer ao Senado. Como não tem poder de pressão sobre o PSD, Marcelo Aro articula para isolar Mateus Simões, forçando o governador a trabalhar dentro do PSD para inviabilizar a candidatura de Viana ao Senado.
A direita está dividida na corrida estadual entre as prováveis pré-candidaturas de Vittorio Medioli, pelo PL, e do senador Cleitinho, pelo Republicanos. Mateus precisa da Federação União Progressista na construção de sua coligação pela disputa à reeleição. Sem ela, poderá ficar isolado, com igual tempo de propaganda eleitoral que terá, por exemplo, o MDB. Além da capilaridade no estado, a Federação União Progressista concentra 20% do tempo da propaganda eleitoral e dos recursos de campanha.
Marcelo Aro participou, nesta quinta-feira, 16, de reunião entre os presidentes nacionais do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e do União, Antonio Rueda, e as bancadas federais mineiras das duas legendas. Nessa reunião, Aro foi considerado para concorrer ao governo de Minas, o que isolaria a candidatura à reeleição de Mateus.
Na mesma reunião, foi apresentada a demanda para que a coordenação da Federação União Progressista em Minas, que havia sido prometida ao prefeito Álvaro Damião (União), seja entregue a Aro ou a outro parlamentar que está lidando diretamente com as articulações para a construção da chapa do União e do PP. Com o comando da federação, Aro ampliaria o seu poder de articulação para definir o leque de alianças dos dois partidos em Minas.
O governador Mateus Simõe, segue apostando que manterá o apoio da Federação União PP em sua coligação, já que tem o compromisso de apoio da maior parte da bancada dos dois partidos. Parlamentares estão, assim, entre dois fogos: gostariam de manter o compromisso político com Mateus, mas também estão pressionados pela lealdade a Marcelo Aro, neste momento em rota de colisão frontal com Carlos Viana e o PSD de Mateus Simões. Quem sobreviverá, eis a questão.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


