Lula e Petro voltam a cobrar divulgação das atas eleitorais na Venezuela
Presidentes do Brasil e da Colômbia divulgaram posição conjunta sobre as eleições no país vizinho na noite de sábado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu homólogo da Colômbia, Gustavo Petro, divulgaram na noite de sábado (24) uma nota conjunta sobre a crise na Venezuela. Os dois líderes conversaram por telefone na sexta (23) e no sábado.
Eles afirmam que "permanecem convencidos" de que a credibilidade do processo eleitoral no país vizinho só poderá ser restabelecida com a "publicação transparente dos dados desagregados por seção eleitoral e verificáveis".
O texto diz ainda que Brasil e Colômbia tomam nota da decisão do Tribunal Supremo de Justiça venezuelano, que ratificou, na quinta-feira (22), a vitória de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais e decretou sigilo sobre as atas eleitorais.
Lula e Petro também pediram que governo e oposição evitem atos de violência e repressão. "A normalização política da Venezuela requer o reconhecimento de que não existe uma alternativa duradoura ao diálogo pacífico e à convivência democrática na diversidade", declararam.
Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão similar ao Tribunal Superior Eleitoral no Brasil, Maduro foi reeleito para um terceiro mandato com 51,2% dos votos, contra 44,2% de Edmundo González. A oposição alega que houve fraude no pleito e diz que a vitória foi de González por cerca de 70% dos votos.
O CNE ainda não apresentou os boletins de urna que detalham os resultados, e por isso tem sido cobrado internacionalmente. O Carter Center, que foi um dos únicos observadores independentes da eleição presidencial na Venezuela, apontou que Edmundo González venceu o pleito, conforme apontam os dados das atas eleitorais que foram coletadas individualmente nos pontos de votação.
Além de poucos países aliados, a vitória de Maduro não foi reconhecida por nenhuma grande democracia e foi contestada pelos Estados Unidos. O presidente venezuelano está há 11 anos no poder.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.



