Lula critica pressão de multinacionais e dos EUA sobre o Pix
Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, presidente defendeu o sistema de pagamentos e afirmou que o governo não abrirá mão da autonomia da ferramenta

Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a pressão de multinacionais sobre o Pix e defendeu a soberania brasileira em áreas estratégicas. A declaração ocorre em meio à investigação comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil e à atuação de integrantes da família Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix”, afirmou Lula. O presidente classificou o sistema como uma “infraestrutura de pagamentos pública e gratuita”, que promove “inclusão financeira” para milhões de brasileiros.
O Pix foi incluído entre os temas questionados pelo governo americano em sua investigação comercial sobre o Brasil. A controvérsia ganhou dimensão política com a atuação do senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que buscou interlocução com autoridades dos Estados Unidos em meio às negociações sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros.
O discurso de Lula teve tom de resistência à pressão estrangeira. Ao falar sobre os recursos naturais do país, o presidente afirmou:
“Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e é em benefício dele que serão exploradas.”
Lula também defendeu que o acesso aos minerais críticos e às terras raras brasileiras tenha como contrapartida “a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”.
Críticas às empresas de tecnologia
A defesa do Pix foi acompanhada de críticas à atuação das grandes empresas de tecnologia. Lula afirmou que seria uma “omissão histórica, imperdoável” não enfrentar a regulamentação das big techs e da inteligência artificial.
Segundo o presidente, um grupo de empresas e especialistas pretende “ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital sem regras nem transparência”. Ele também criticou o que chamou de “uma corrida sem freios éticos à revelia da ONU e do Painel Científico sobre Inteligência Artificial”.
Para Lula, as empresas precisam ser responsabilizadas pelos efeitos de seus produtos:
“Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos.”
O presidente ainda criticou as plataformas de apostas. “A indústria milionária das bets transforma o vício em lucro”, afirmou. Na avaliação dele, a expansão desse mercado está “endividando e destruindo milhões de lares”.
Ao encerrar o discurso, Lula retomou a defesa da autonomia nacional. “A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”, declarou.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



