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Lula cita Elon Musk em crítica à concentração de riqueza, no G7

Presidente afirma que desigualdade entre ricos e pobres está aumentando, enquanto o primeiro trilionário do mundo concentra quase 50% da riqueza

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Lula foi convidado por Macron para a cúpula do G7
Lula foi convidado por Macron para a cúpula do G7 • Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou seu discurso na cúpula do G7, nesta terça-feira (16), para fazer uma crítica ao acúmulo de riqueza citando o empresário sul-africano Elon Musk, o primeiro trilionário do mundo. O Brasil participa como convidado da reunião das sete maiores economias do mundo, em Évian, na França.

A fala do petista foi marcada pela defesa do multilateralismo, onde ele voltou a cobrar empenho dos países mais ricos para o financiamento de países que preservam suas matas nativas e contribuem para o desenvolvimento sustentável. Segundo Lula, o “protecionismo e o unilateralismo” são respostas “falaciosas” para os problemas dos países.

“A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, declarou.

Elon Musk se tornou trilionário na última sexta-feira (12), quando a SpaceX, sua empresa de exploração espacial e inteligência artificial, abriu capital na Bolsa de Nova York (Nasdaq). Na ocasião, o empresário viu seu patrimônio crescer mais de US$ 500 bilhões com a valorização das ações da companhia.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), apenas 21 países possuem economias superiores a US$ 1,1 trilhão. Essa seleta lista é liderada pelos Estados Unidos, com um Produto Interno Bruto de US$ 32 trilhões, seguido pela China com US$ 20,85 trilhões e a Alemanha com US$ 5,45 trilhões.

Musk pode se tornar mais rico que Taiwan, que ocupa a 22ª posição do ranking com US$ 976,72 bilhões. Ele também deve ter um patrimônio superior ao de Israel (US$ 719,85 bilhões), Argentina (US$ 688,38 bilhões), Dinamarca (US$ 503,77 bilhões), Portugal (US$ 380,64 bilhões), dentre outros países na lista.

Trump

A participação de Lula no G7 ainda foi marcada pelo desencontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dois posaram para a “foto de família” da cúpula, mas não tiveram interações durante o encontro. O fato ocorre em um momento de tensão comercial entre Brasil e EUA, com os americanos acusando o país de práticas desleais de concorrência e propondo novas taxas aos produtos brasileiros.

No início de junho, o escritório de representação comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), sugeriu tarifas de 25% para os produtos brasileiros por práticas desleais de concorrência, citando inclusive o uso do Pix. Também há uma tarifa de 12,5% em relação a uma investigação sobre trabalho forçado.

Existe uma expectativa de que Lula e Trump ainda possam ter uma reunião bilateral durante a cúpula do G7, mas ainda não há uma agenda marcada entre os dois mandatários. Nos próximos dias, o petista deve ter encontros com Macron, o presidente do Egito e o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza. Cabe lembrar que ele já teve uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.