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Quem é Alfredo Gaspar, deputado escolhido para ser vice de Flávio Bolsonaro

Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas ganhou projeção como relator da CPMI do INSS e se filiou ao PL em março; escolha ocorre após partido não conseguir atrair outras siglas para a chapa

PorBrasília
Leitura do relatório final da CPMI pelo deputado Alfredo Gaspar (UNIÃO - AL) • Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e relator da CPMI do INSS no Congresso, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), de 55 anos, é o nome escolhido a vice-presidência na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A escolha surpreendeu aliados e foi formalizada nas últimas horas do prazo regimental, após tentativas frustadas do partido em escolher outros nomes para a vaga.

Gaspar se filiou ao PL em março deste ano, após deixar o União Brasil. Como relator da comissão que investigou fraudes envolvendo aposentadorias e pensões, adotou uma postura crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comprando briga com a base do governo no Congresso ao pedir o indiciamento de Luis Cláudio Lula da Silva, filho mais velho do presidente da república.

 

No relatório da CPMI - que acabou sendo rejeitado - o deputado fez diversas referências ao governo petista e buscou relacionar as irregularidades investigadas à atual gestão. Por outro lado, integrantes da cúpula do governo anterior tiveram pouco espaço no documento, o que levou à críticas e a rejeição do texto.

Antes de ingressar na política, Gaspar construiu carreira no Ministério Público de Alagoas, onde chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça. A experiência na área jurídica e a atuação na CPMI passaram a compor sua projeção política dentro da direita.

Escolha contraria plano inicial de Flávio

A definição de Alfredo Gaspar também marca uma mudança na estratégia traçada inicialmente pela campanha de Flávio Bolsonaro.

O senador buscava uma mulher de um partido aliado para ocupar a vice, numa tentativa de ampliar a chapa para além do PL e reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino.

A preferência era por Daniella Marques, que presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro. O Republicanos, no entanto, decidiu em convenção nacional não apoiar Flávio e permanecer neutro na disputa presidencial.

Outra alternativa foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS). O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendia o nome da parlamentar, que chegou a aceitar a possibilidade de integrar a chapa após conversas com aliados do senador.

O PP, porém, vetou a aliança. Assim como ocorreu no Republicanos, a maioria dos diretórios estaduais da legenda optou pela neutralidade na eleição presidencial.

PL terá chapa pura

Com Gaspar, Flávio Bolsonaro terá uma chapa formada exclusivamente por homens do PL. A decisão evidencia a dificuldade encontrada pelo senador para atrair partidos do centrão para sua candidatura.

PP, União Brasil e Republicanos resistiram a uma coligação com o partido e adotaram a neutralidade no primeiro turno. O prazo para as convenções partidárias e a definição das alianças termina nesta quarta-feira (5).

Na terça-feira (4), o próprio senador admitiu que a procura por um vice havia se transformado em uma "novela" e chegou a afirmar que a definição poderia ficar para o dia 15, prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.

Horas depois, porém, o PL informou que a decisão estava tomada e convocou a imprensa para anunciar o nome.

A intenção da campanha era encontrar um vice com projeção nacional e capacidade de agregar votos em segmentos considerados estratégicos, como o eleitorado evangélico, o agronegócio ou o Nordeste.

Flávio também defendia a presença de uma mulher na chapa. A estratégia ganhou importância diante da tentativa da campanha de diminuir a rejeição do senador entre as eleitoras.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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