Lulinha é acusado de quatro crimes na CPMI do INSS
Relatório final da CPMI foi lido nesta sexta-feira (27) pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL)

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi acusado de quatro crimes no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório final foi lido nesta sexta-feira (27) pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL)
Ao todo, o relator pediu o indiciamento de 216 pessoas, incluindo o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, e outros parlamentares.
A leitura do relatório ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar, por 8 votos a 2, a prorrogação da CPMI do INSS. Com efeito, o colegiado se encerra neste sábado (28), de acordo com o prazo regimental do Congresso Nacional.
Em relação a Lulinha, o deputado acusou o empresário em quatro tipos penais:
Tráfico de Influência
Segundo o relator, Lulinha usava a posição de filho do Presidente da República para receber valores periódicos de empresários que estavam fraudando os descontos associativos do INSS. Ele também teria usado o “prestígio familiar” para abrir portas em instâncias decisórias.
Lavagem de dinheiro
O relatório aponta que os pagamentos realizados por Antônio Camilo à empresa de Roberta Luchsinger, identificada como destinatária de recursos originados de empresas de fachada do grupo criminoso, teriam como beneficiário final Fábio Luís, conforme a referência ao "filho do rapaz" nas comunicações interceptadas.
Organização Criminosa
A CPMI também afirma que há provas que indicam que Lulinha integrava o chamado "núcleo político" da organização criminosa liderada pelo Careca do INSS, ocupando a função de facilitador de acesso e articulador institucional.
Partícipe em corrupção passiva
Embora Lulinha não exerça função pública, a CPMI afirma que ele teria atuado como partícipe no esquema de corrupção passiva, na medida em que os valores recebidos tinham como causa justamente a capacidade de influenciar decisões administrativas tomadas por agentes públicos ligados ao governo de seu pai.
Em nota enviada à Itatiaia, a defesa de Fábio Luís disse que o indiciamento revela o "caráter eleitoral" da atuação do relator, que estaria "vulgarizando" a nobre função de fiscalizar. Os advogados ainda afirmam que não há provas que justifiquem o indiciamento.
"Se não fosse trágico, seria cômico. Fábio não tem relação direta ou indireta com os fatos investigados no bojo da CPMI do INSS. O vazamento criminoso de seu sigilo bancário é um elemento que confirma o que a defesa desde o início vem dizendo", afirma a nota.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Centro Universitário e Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Foi finalista do Prêmio CNT de Jornalismo em 2025. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia na capital federal.




