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Planalto descarta acelerar aval a embaixador dos EUA após nova crise diplomática

Nos bastidores do Planalto, a avaliação é de que a crise diplomática aberta após a decisão dos Estados Unidos inviabiliza qualquer avanço no processo antes das eleições

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira. • Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descarta acelerar o aval diplomático ao político republicano Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. A decisão ocorre após a gestão de Donald Trump revogar, nessa terça-feira (4), o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, em um movimento que o Palácio do Planalto considera "abaixo de zero" e "escalada deliberada de medidas hostis".

Os Estados Unidos condicionaram a devolução do visto da embaixadora ao consentimento oficial (agrément) do governo brasileiro para o indicado do presidente Donald Trump à embaixada americana em Brasília.

A medida anunciada pelo Departamento de Estado equivale, na prática, à expulsão da diplomata brasileira do país e inaugura uma nova frente de crise na relação bilateral.

A avaliação no entorno do presidente Lula é que uma reversão da atual tensão só deve ocorrer após as eleições de outubro.

Em nota divulgada na noite desta terça, o Palácio do Planalto afirmou que a revogação do visto da embaixadora "faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis" ao Brasil, motivadas por razões ideológicas.

No comunicado, a Presidência também afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para revogar o documento "são falsas" e que "fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente".

O governo Lula ainda contestou, na nota, a condução do governo Trump no processo de indicação de Daniel Perez. "O processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência, conforme estipula o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas", diz o texto.

Como mostrou a CNN, o governo Lula já havia decidido segurar o aval diplomático ao novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil em meio à crise entre os dois países provocada pelo tarifaço.

O argumento era que o Planalto e o Itamaraty fariam uma análise criteriosa da indicação de Daniel Perez, sem pressa e sem estabelecer um prazo para a decisão. Com isso, o pedido de consentimento oficial (agrément) do governo brasileiro pode ficar para depois das eleições deste ano.

Os Estados Unidos estão sem embaixador em Brasília desde o fim do governo Joe Biden. Um ano e meio depois, Donald Trump tornou pública a indicação de Perez para o posto, em 1º de junho.

O pedido de agrément ao governo Lula só foi enviado a Brasília duas semanas após o anúncio oficial da indicação pela Casa Branca, o que é considerado incomum na prática diplomática.

Próximo ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, Daniel Perez já teve sua indicação para o posto de embaixador no Brasil aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos. Ele ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Casa.

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