Em discurso no G7, Lula manda recados a Trump ao criticar o protecionismo
Americanos consideram impor novas tarifas aos produtos brasileiros por supostas práticas desleais de concorrência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou na abertura da cúpula do G7, na manhã desta terça-feira (16), com críticas ao neoliberalismo e ao protecionismo comercial. A fala se deu diante do seu par dos Estados Unidos, Donald Trump, no momento em que os americanos consideram impor novas tarifas aos produtos brasileiros por supostas práticas desleais de concorrência.
Na sua fala, Lula lembrou que já participou de nove cúpulas das sete maiores economias do mundo, mas afirmou que nenhuma os líderes mundiais conseguiram construir respostas coletivas para os problemas da geopolítica.
“Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, disse.
O presidente brasileiro também citou o empresário Elon Musk, o primeiro trilionário do mundo, para criticar a concentração de riqueza. Lula defendeu a implementação do Acordo de Paris para o financiamento climático dos países, afirmando que ainda faltam US$ 4 trilhões para que os países desenvolvidos cumpram com os objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030.
“A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, declarou o presidente.
Lula e Trump não se cumprimentam
Durante a tradicional “foto de família” das cúpulas bilaterais, Lula e Donald Trump não tiveram interação. Na fotografia, o brasileiro foi posicionado pelo cerimonial entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Por sua vez, Trump estava entre Macron e o presidente do Egito, Abdel Fatah Al-Sisi
Em termos de conversas durante o momento, Lula cumprimentou o presidente do Conselho Europeu, o português António Costa, e conversou com o primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Keir Starmer, além de Abdel Fatah Al-Sisi e von der Leyen. Já, Trump teve trocas com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, e a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
O encontro entre Lula e Trump ocorre em um novo momento de tensão na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. No início de junho, o escritório de representação comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), sugeriu tarifas de 25% para os produtos brasileiros por práticas desleais de concorrência, citando inclusive o uso do Pix. Também há uma tarifa de 12,5% em relação a uma investigação sobre trabalho forçado.
Existe uma expectativa de que Lula e Trump ainda possam ter uma reunião bilateral durante a cúpula do G7, mas ainda não há uma agenda marcada entre os dois mandatários. Nos próximos dias, o petista deve ter encontros com Macron, o presidente do Egito e o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza. Cabe lembrar que ele já teve uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



