Familiares de senador são alvo da PF investigação sobre desvios no INSS
Polícia Federal cumpre 18 mandados no DF e no Maranhão em investigação ligada à Operação Sem Desconto; família do senador Weverton Rocha (PDT-MA) são investigados

A Polícia Federal mirou familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) nesta terça-feira (4) em uma nova fase da investigação sobre os desvios irregulares praticados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação busca agora rastrear movimentações financeiras e patrimoniais suspeitas e esclarecer se recursos relacionados ao esquema foram lavados por meio de empresas, contas de terceiros e operações em dinheiro vivo.
A PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Weverton é um dos alvos, segundo apurou a reportagem.
Inicialmente, o próprio senador seria alvo de busca e apreensão, mas a informação foi corrigida pela PF. Weverton já esteve na mira da Operação Sem Desconto, que investiga o esquema de descontos associativos sem autorização em aposentadorias e pensões do INSS.
Em dezembro de 2025, a PF havia feito buscas em endereços ligados a Weverton. Na ocasião, os investigadores apontaram o senador como suspeito de integrar o núcleo político do esquema e de manter relações com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como um dos principais operadores das fraudes.
A PF chegou a pedir a prisão de Weverton naquela etapa, mas a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou contra a medida, e o STF não autorizou a detenção. O senador negou envolvimento nas irregularidades.
PF avança sobre caminho do dinheiro
A operação desta terça aprofunda uma frente financeira da investigação. Segundo a PF, foram identificados indícios de movimentações feitas por pessoas físicas e empresas, além do uso de contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e valores em espécie.
A suspeita é que esses mecanismos tenham sido usados para ocultar a origem e o destino dos recursos. A PF ainda não detalhou quais dessas movimentações são atribuídas especificamente a Weverton.
Os investigadores procuram agora identificar de onde saiu o dinheiro, quem recebeu os valores, qual era a finalidade dos repasses e a participação de cada investigado.
O escândalo do INSS veio à tona em abril de 2025, quando a primeira fase da Operação Sem Desconto revelou um esquema de cobranças de mensalidades associativas diretamente sobre aposentadorias e pensões sem autorização dos beneficiários.
Desde então, as apurações avançaram das entidades responsáveis pelos descontos para empresários, intermediários, servidores públicos e políticos suspeitos de participação no esquema ou de receber recursos relacionados às fraudes.
Entre os principais personagens está o Careca do INSS, preso desde setembro de 2025. Em dezembro, uma nova etapa da investigação atingiu Weverton e integrantes do Ministério da Previdência, entre eles Adroaldo da Cunha Portal, ex-assessor do senador e então secretário-executivo da pasta.
A operação desta terça avança sobre uma etapa posterior do suposto esquema: a tentativa de descobrir como os recursos circularam e se foram utilizadas estruturas financeiras e empresariais para esconder sua origem e seus beneficiários finais.
A reportagem procura a defesa de Weverton Rocha. O espaço está aberto para manifestação.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



