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Lira alfineta Haddad após declaração polêmica, reunião cancelada e ligação

Ministro Fernando Haddad (PT) criticou 'poder da Câmara' sobre o Senado Federal e o Executivo em entrevista publicada nesta segunda-feira (14)

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Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), conversou por telefone com o ministro Fernando Haddad (PT) após declaração polêmica
Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), conversou por telefone com o ministro Fernando Haddad  • Marina Ramos | Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), alfinetou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com uma série de quatro tuítes publicados no início da noite de segunda-feira (14) em meio à repercussão da declaração crítica do petista à força da Casa diante do Senado e do Executivo. "É equivocado pressupor que a formação de consensos em temáticas sensíveis revela a concentração de poder na figura de quem quer que seja", disparou em resposta à fala de Haddad em entrevista a Reinaldo Azevedo gravada na sexta-feira (11) e publicada nesta manhã.

O parlamentar sustentou em seguida que exerce uma função que deveria caber ao governo e afirmou que 'manifestações enviesadas' não contribuem para o diálogo. "A formação de maioria política é feita com credibilidade e diálogo permanente com os líderes partidários (...). Essa missão é do Governo, e não do Presidente da Câmara, que ainda assim tem se empenhado para que ela aconteça", afirmou.

Relação estremecida entre Lira e Haddad após declaração polêmica

Em entrevista a Reinaldo Azevedo publicada nesta manhã, Haddad criticou a força da Câmara sobre o Senado Federal e a própria presidência da República. "A Câmara está com um poder muito grande e ela não pode usar esse poder para humilhar o Senado e o Executivo. Mas, de fato, ela está com um poder que eu nunca vi na minha vida", disse. A declaração repercutiu mal entre aliados de Arthur Lira (PP-AL), com quem Haddad manteve relação estreita no primeiro semestre para dialogar com a Câmara e garantir a aprovação das pautas econômicas prioritárias para o governo Lula (PT).

O cenário em meio à declaração de Haddad é ainda mais crítico porque Lira se reuniria nesta segunda-feira (14) à noite com líderes da Casa para discutir a aprovação do arcabouço fiscal — essencial para o orçamento da União — no plenário nos próximos dias. Com o mal-estar provocado por Haddad, Lira cancelou a reunião e remarcou o encontro para o início da tarde de terça-feira (15).

Diante do estresse, o ministro desceu à portaria da Fazenda minutos após o adiamento da reunião e garantiu que foi alvo de má interpretação. "Eu até desci para falar com vocês. As minhas declarações foram tomadas como uma crítica à atual legislatura. Na verdade, eu fazia uma reflexão sobre o fim do chamado presidencialismo de coalizão. Não foi substituído por uma relação institucional mais estável. Então, defendi durante a entrevista que essa relação fosse mais harmônica e produzisse melhores resultados", disse Haddad.

O ministro afirmou ter ligado para Lira e disse que o presidente da Câmara pediu apenas para ele esclarecer o mal-entendido. "Falei com o presidente Lira. Fiz questão de ligar para ele para que fosse esclarecido. Só depois de falar com ele, desci para falar com vocês", disse. "[A conversa] foi excelente. Ele [Lira] só me disse: 'Haddad, talvez caiba um esclarecimento porque as pessoas estão achando que foi uma crítica pessoal'", concluiu.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.