'Leais' a Zema, deputados da base de governo devem ficar sem liderança na Casa
Roberto Andrade, Zé Guilherme e filho de Celise não ficaram com lideranças nem comissões

Depois de encampar uma disputa pelo comando da Assembleia Legislativa e "botar a cara" a pedido do governo Zema, o deputado estadual Roberto Andrade (Patriota) corre o risco de não ocupar nenhum posto relevante dentro da Casa. A coluna apurou que as lideranças do governo ficarão com Gustavo Valadares (PMN) e Cássio Soares (PSD) - Valadares retornará ao cargo de líder de governo, enquanto Cássio ocupará a liderança do bloco da base.
As principais comissões temáticas também não devem ficar com Andrade ou com outro aliado de Zema, segundo apurou a coluna. Outro integrante da base que era cotado para um cargo relevante é o deputado Zé Guilherme (PP), pai do deputado federal Marcelo Aro, aliado de primeiro hora de Zema. É provável que Zé Guilherme fique até sem a Comissão de Esporte.
Já a liderança da Maioria vem sendo sondada por Raul Belem (Cidadania), que apoiou a candidatura de Tadeuzinho enquanto Andrade ainda mantinha a candidatura apoiada pelo governo. Outro que pode receber o cargo é Carlos Henrique (Republicanos).
Deixando o mandato, a deputada Celise Laviola é outra ativa da base do governador que deve ficar a ver navios e sem emplacar algo relevante para o filho, o deputado eleito Zé Laviola (Novo).
A propósito, o governo não conseguiu emplacar nenhum nome para a 1ªvice-presidência da Casa. O cargo ficou mesmo com a deputada Leninha (PT) - Tadeu Martins Leite (MDB) chegou a movimentar o interesse do governo em indicar alguém para o cargo, mas o PT fez jogo duro. Pudera: a 1ªvice normalmente comanda o chamado "pinga-fogo", quando deputados tem tema livre para discursar em plenário. Com uma petista no comando do cargo, a avaliação no Estado é que Zema deve enfrentar momentos duros com discursos na Casa.
Outra derrota é a criação do blocão independente, que será liderado por Gustavo Santana (PL) - nome antes considerado como um dos deputados mais próximos do governo. O PL, aliás, era visto como um partido "óbvio" para integrar a base. Os "bolsonaristas" até encampam a fala de que vão apoiar a base de Zema, mas, na prática, farão parte do blocão.
O bloco de oposição será liderado pelo deputado Ulysses Gomes (PT).
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.



