Relatório final da Operação Rejeito indicia 34 pessoas por integrarem organização criminosa
O grupo de mais de 40 empresas movimentou ao menos R$ 1,5 bilhão em esquemas que envolvem corrupção de servidores públicos, lobistas e empresários do setor minerário

O relatório final da Operação Rejeito, emitido nessa quinta-feira (25), indiciou 34 pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa que cometia delitos como crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, fraudes administrativas e falsidade documental com vistas a facilitar projetos de mineração em áreas de proteção ambiental em Minas Gerais.
O grupo de mais de 40 empresas movimentou ao menos R$ 1,5 bilhão em esquemas que envolvem corrupção de servidores públicos, lobistas e empresários do setor minerário.
Três pessoas foram apontadas como líderes do esquema criminoso – os empresários Alan Cavalcante do Nascimento e Helder Adriano de Freitas, além do ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages. Servidores do estado e do governo federal também foram acusados de manipular licenças ambientais, títulos minerários e decisões judiciais favoráveis ao grupo.
A Polícia Federal relata que os envolvidos atuavam em organização criminosa “estável”, com objetivo principal de conseguir vantagens econômicas em empreendimentos de mineração de ferro e manganês. Havia núcleos de liderança, investidores, administração financeira e corrupção de agentes públicos para influenciar órgãos ambientais.
A Operação teve duas etapas no estado, sendo que a primeira, realizada em setembro do ano passado, contou com mandados de busca, apreensão e medidas diversas para coleta de provas. A segunda, deflagrada no início do mês, teve como finalidade frear um esquema de vigilância contra autoridades e pessoas de interesse dos criminosos.
Corrupção, lavagem de dinheiro e órgãos públicos envolvidos
O relatório da Polícia Federal aponta que o Conselho de Patrimônio Ambiental (Copam), por meio de um conselheiro, facilitava a operação de uma mineradora mediante repasse de R$ 5 mil, enquanto na Fundação Estadual do Meio Ambiente e na Secretaria de Estado de Meio Ambiente, havia elaboração de minutas sob demanda para garantir a licença de operação da empresa.
O esquema também incidia sobre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde também há menção de pagamentos de vantagens a agentes públicos que intermediavam manifestações técnicas às empresas investigadas.
A corporação descreve também um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo as mineradoras.
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