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Justiça arquiva ação em que Jair Bolsonaro era réu por injúria contra deputada Maria do Rosário; saiba o porquê

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) era réu em ação protocolada em 2014 por dizer à deputada que ela não merecia ser estuprada por ser 'muito feia'

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Deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) ingressou com ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2014; na época, ele era deputado pelo Rio de Janeiro
Deputada federal Maria do Rosário  • Marcelo Camargo | Agência Brasil

A Justiça do Distrito Federal arquivou nesta segunda-feira (24) a ação penal movida pela deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — parlamentar eleito pelo Rio de Janeiro à época dos fatos — pelos crimes de injúria e calúnia. A extinção da ação ocorre a pedido do Ministério Público. O órgão alegou não haver possibilidade de concluir o julgamento no prazo de três anos estabelecido pela legislação.

Cronologia. A parlamentar recorreu à Justiça em 2014 após o então deputado Jair Bolsonaro declarar à TV Câmara que Maria do Rosário não merecia ser estuprada por que ele a considerava "muito feia". Em 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu parcialmente a queixa-crime — acatando a denúncia por injúria e desconsiderando a alegação de calúnia.

Entretanto, três anos depois, a ação acabou suspensa em razão da eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República graças à imunidade formal temporária garantida ao cargo ocupado. Após o término do mandato presidencial, a ação penal retornou à Justiça do Distrito Federal remetida a pedido do ministro Dias Toffoli, do STF, e o Ministério Público solicitou a extinção da queixa-crime.

"Da análise acurada dos autos, nota-se que não é mais possível o exercício do jus puniendi por parte do Estado, diante da prescrição da pretensão punitiva em abstrato", afirmou a promotora Ana Paula Gonçalves em ofício à Corte na última sexta-feira (21).

"Ainda será feita justiça". Maria do Rosário criticou o arquivamento da ação por meio de publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (24). A deputada citou números de violência sexual no Brasil expostos pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado na semana passada. "Ninguém tem o direito de violar. Ninguém merece ser estuprada", escreveu.

A petista também reprovou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse esperar que seja feita justiça contra ele. "Resistimos ao seu governo genocida e misógino (...). Contemplo ainda os muitos processos que enfrenta meu detrator, com a certeza de que ainda será feita justiça contra todos os crimes que ele cometeu", declarou.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.