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Governo de Minas consulta TRE-MG sobre revisão salarial de policiais

Justiça Eleitoral foi acionada para saber se o envio de um projeto com a correção dos vencimentos para servidores da segurança implica em infração de leis que protegem a lisura da votação

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Diplomação é organizada pelo TRE-MG e será realizada na Sala Minas Gerais
Três perguntas foram enviadas ao Tribunal, que ainda não tem data para avaliar a consulta • Guilherme Dardanhan/ALMG

O Governo de Minas consultou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) sobre a viabilidade de votar, antes das eleições, uma proposta de emenda à Constituição que estabelece a revisão geral anual do salário das forças de segurança no estado nos meses que antecedem o pleito de outubro. A medida foi anunciada pelo governador Mateus Simões (PSD) como uma das etapas para avançar com a discussão do assunto na Assembleia Legislativa (ALMG).

 

Consultado pela Itatiaia, o TRE informou que a secretária de Fazenda, Luciana Mundim de Mattos Paixão, acionou o tribunal para uma consulta oficial acerca da possibilidade de o Executivo propor o reajuste salarial durante o período em que a Legislação Eleitoral veda a aprovação de melhorias nos vencimentos de servidores para evitar possíveis impactos na decisão dos eleitores.

 

As perguntas formuladas pela Secretaria de Fazenda foram:

 

  • O envio, pelo Poder Executivo, de projeto de lei para reestruturar carreira específica de servidores, com aumento da respectiva remuneração ou reposição de perdas remuneratórias, no período de 3 meses anterior à eleição, caracteriza conduta vedada aos agentes públicos em anos eleitorais?

 

  • A aprovação, pelo Poder Legislativo, de projeto de lei enviado pelo Poder Executivo para reestruturar carreira específica de servidores, com aumento da respectiva remuneração ou reposição de perdas remuneratórias, no período de 3 meses anterior à eleição, caracteriza conduta vedada aos agentes públicos em anos eleitorais?

 

  • A sanção, pelo Poder Executivo, de projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo para reestruturar carreira específica de servidores, com aumento da respectiva remuneração ou reposição de perdas remuneratórias, no período de 3 meses anterior à eleição, configura conduta vedada aos agentes públicos em anos eleitorais?"

 

As perguntas estão sob análise do juiz Antônio Leite de Pádua, relator do caso. Ainda não há uma data prevista para o julgamento.

 

Entenda o caso

 

Há dois anos, um conjunto de vereadores de cidades mineiras com apoio de entidades de classe das forças de segurança elaborou e protocolou na Assembleia a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024. O texto estabelece que os vencimentos de bombeiros e policiais militares, penais e civis no estado sejam reajustados anualmente de acordo com a inflação.

 

O texto está emperrado na Assembleia desde então. O entrave técnico trata sobre o possível vício de iniciativa representado pela proposta, que é assinada por câmaras municipais e versa sobre um tema de competência exclusiva do Executivo Estadual. 

 

Com o projeto já empoeirado no arquivo da Assembleia, o tema foi desenterrado por Mateus Simões ao fim da cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, em 21 de abril. Em entrevista após a solenidade, o governador anunciou que mobilizaria a Assembleia para votar o texto.

 

O projeto faz parte da tentativa de reaproximação do governo com as forças de segurança. Simões protagonizou o evento do dia de Tiradentes em Ouro Preto com uma defesa efusiva do militarismo ao criticar a fala de Ângelo Oswaldo, prefeito da cidade histórica, que o antecedeu no evento.

 

Mais de um mês depois, o projeto não avançou um milímetro na Assembleia. A Casa entende que é preciso que o governo envie uma nova PEC para tratar sobre o tema e eliminar o vício de iniciativa. Simões, por outro lado, diz que poderia apenas apresentar uma emenda à já existente PEC 40/2024 e afirma ainda que não poderia protocolar um novo projeto devido à lei eleitoral.

 

Divergências técnicas

 

A Legislação Eleitoral proíbe que sejam votados e aprovados projetos que majorem o vencimento de servidores nos seis meses que antecedem as eleições. A medida é uma proteção para evitar que os políticos se favoreçam da posição de incumbentes para oferecer benesses com a intenção de se perpetuar no poder.

 

Há, no entanto, uma variação na interpretação da lei. Enquanto o Governo de Minas prega cautela e uma consulta detalhada ao TRE, o deputado estadual Sargento Rodrigues (PL), referência classista da Assembleia para as forças de segurança, defende que o Executivo já poderia ter enviado uma nova PEC sem qualquer risco.

 

Rodrigues aponta que a lei impede projetos que majorem os salários, mas a PEC 40/2024 não prevê um aumento real nos salários, mas apenas a correção a partir dos índices de inflação. Por este ponto de vista, nada impediria uma ação de Simões no sentido de cumprir a própria promessa. 

 

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.