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Impunidade é sentimento que une familiares de vítimas de Brumadinho, Mariana, Boate Kiss e Braskem

Familiares de vítimas de tragédias brasileiras recentes se reuniram em Brumadinho, na semana em que desastre da Vale completa cinco anos

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Rompimento da barragem da Vale em Brumadinho completa cinco anos na próxima quinta-feira (25) • Divulgação / Avabrum

O que as tragédias de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, da Boate Kiss, no Rio Grande do Sul, e da mina da Braskem, em Maceió têm em comum?

A ausência da Justiça, a falha da Justiça e da fiscalização e o poderia que essas mineradoras detém

andreza rodrigues (caso brumadinho)

O que nos une é a luta na justiça e a impunidade

neirevane nunes (caso braskem)

O que une é o amor aos filhos, pais e irmãos, que perderam a vida em tragédias evitáveis

paulo carvalho (caso boate kiss)

A busca incessante por justiça

mônica dos santos (caso mariana)

Veja mais: Seminário reúne familiares e vítimas das tragédias de Mariana, Braskem, Boate Kiss e Brumadinho

Mônica dos Santos morava em Bento Rodrigues, distrito arrasado pela lama da Samarco em 2015. "Eu acho que já deu para a gente sentir, para perceber que, sozinho, a gente não vai chegar a lugar nenhum. Se tivesse havido uma punição quando a barragem de Fundão [em Mariana] se rompeu, não teria acontecido em Brumadinho. Então, a nossa busca é uma busca incessante por justiça e por punição, em memória às pessoas que se foram no dia dos crimes e que estão indo a cada dia nesses longos oito anos", relata.

De Alagoas vieram duas representantes dos atingidos pelo colapso da mina de sal-gema da Braskem. A Itatiaia esteve em Maceió em novembro acompanhando de perto essa situação. Rikartiany Cardoso, lembra a responsabilidade do poder público nessas tragédias.

"Eu acho que a maior semelhança nesses casos é o protecionismo empresarial quando o Estado tem responsabilidade. Por que, à proporção que ele assegura a impunidade para a empresa privada ele também assegura a impunidade para si", diz.

A anfitriã do encontro que emocionou os presentes em Brumadinho durante mais de três horas de depoimentos, Andreza Rodrigues, destaca a importância de reunir e ouvir os atingidos. Ela perdeu o filho Bruno, morto no rompimento da barragem da Vale no córrego do feijão em Brumadinho.

"A primeira coisa a ser dita é que nós seguiremos com eles e por eles. E que eles não serão esquecidos. As 272 jóias seguem vivas em nós e em nossas ações e, nesse contexto, o clamor pela Justiça e a certeza de que se a justiça não for feita, não haverá para nossas famílias reparação, não haverá alento", afirma.

O seminário realizado em Brumadinho marca os cinco anos da tragédia da Vale e teve participação da jornalista mineira Daniela Arbex, autora de livros que contam a história de grandes tragédias do Brasil. Ela fez a ponte entre as vítimas de Minas e do Rio Grande do Sul.

"Foi emocionante, particularmente para mim, por ter sido a ponte que apresentou e que ligou as famílias do Rio Grande do Sul com as famílias de Minas Gerais. Eu acho isso muito emocionante, porque o jornalismo é ponte para o coração do outro, sim, mas é também um caminho potente para a busca da Justiça. Essas famílias precisam se fortalecer e precisam se unir para exatamente pra quem encontrem uma resposta para tudo que aconteceu", relembra.

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.