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Governo volta atrás e libera desenhos bíblicos de canal para todas as idades

Segundo o Ministério da Justiça, a reavaliação ocorreu após a identificação de que a análise anterior não havia aplicado integralmente os critérios previstos no Guia Prático de Classificação Indicativa, editado em 2025

Por, Brasília
Governo volta atrás em classificação indicativa de desenhos bíblicos
Governo volta atrás em classificação indicativa de desenhos bíblicos • Foto: Reprodução

O Ministério da Justiça e Segurança Pública decidiu reclassificar como livre o programa Record Kids,  Desenhos Bíblicos, exibido pela TV Record. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (3) pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), que reformou, de ofício, a classificação indicativa de 12 anos atribuída à produção em 28 de outubro.

O programa é composto por 36 episódios de animação que retratam passagens do Antigo e do Novo Testamento. Com a revisão, o conteúdo passa a ser considerado adequado para espectadores de todas as idades.

Nova avaliação

Segundo o Ministério da Justiça, a reavaliação ocorreu após a identificação de que a análise anterior não havia aplicado integralmente os critérios previstos no Guia Prático de Classificação Indicativa, editado em 2025.

Entre os pontos considerados na nova avaliação estão o contexto cultural e religioso das narrativas bíblicas e a aplicação de atenuantes previstos no guia. O documento estabelece que conteúdos associados a rituais, tradições e costumes de religiões e comunidades específicas podem receber tratamento diferenciado na classificação.

Outro fator levado em consideração foi o formato da produção. Por ser uma animação voltada ao público infantil, a obra se enquadra em critérios de atenuação relacionados à representação fantasiosa da violência e à estética infantilizada dos personagens.

Em despacho, a Sedigi afirmou que a transmissão de narrativas bíblicas às crianças por meio de animações é uma forma de expressão cultural protegida pela Constituição. O órgão também destacou que a classificação indicativa deve aplicar os mesmos critérios às diferentes tradições culturais e religiosas.

O Ministério ressaltou ainda que a classificação indicativa não tem caráter de censura. A finalidade, segundo a pasta, é informar as famílias sobre o conteúdo das obras para que possam decidir o que é adequado aos filhos.

A decisão ainda será publicada no Diário Oficial da União (DOU), e a Record será formalmente comunicada.

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Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Centro Universitário e Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Foi finalista do Prêmio CNT de Jornalismo em 2025. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia.

 

 

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