Flávio diz que procurou Vorcaro após prisão para dar um 'ponto final na história'
Filho de Jair Bolsonaro admitiu ter se encontrado com Vorcaro no intervalo entre as duas prisões do banqueiro para encerrar negociações por filme sobre a história do pai

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que se reuniu com Daniel Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (19), o parlamentar disse que a reunião se deu para colocar “um ponto final” nas negociações sobre o filme ‘Dark Horse’, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Final de 2025 foi aquele áudio que vocês ouviram. No dia seguinte, ele foi preso. Neste momento, foi a virada de chave, entendemos que a situação era mais grave. Estive com ele mais uma vez, quando ele usava monitoramento eletrônico", afirmou.
Flávio complementou narrando seu encontro após a primeira prisão de Vorcaro. Segundo o parlamentar, ele não sabia que a situação do banqueiro “era grave”.
"Eu estive com ele mais uma vez, após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico, ele não podia sair da cidade de São Paulo. Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, para dizer que se ele tivesse me avisado que se a situação era grave como essa, eu teria ido atrás de outro investidor há bastante tempo", prosseguiu.
Na última quarta-feira (13), o portal The Intercept Brasil publicou um áudio enviado por Flávio a Vorcaro em novembro do ano passado pedindo que o banqueiro honrasse um compromisso de US$ 24 milhões para a gravação do filme que conta a história do pai do senador.
A reação imediata de Flávio sobre a relação com Vorcaro foi de negação, mas o parlamentar admitiu os contatos posteriormente. Segundo o senador, as tratativas com o banqueiro foram feitas exclusivamente para tratar sobre o filme.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, ele foi solto no fim daquele mês e terminou preso novamente em março deste ano. Além de comandar o banco responsável pela maior fraude financeira da história do Brasil, o empresário é investigado por ser suspeito de comandar grupos que atuavam fazendo ameaças a jornalistas e autoridades e vazando documentos confidenciais de inquéritos envolvendo o Banco Master.
O caso Master
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por uma crise de liquidez no retorno dos investimentos feitos na instituição. O BC entendeu que houve violações às normas do Sistema Financeiro Nacional na forma como a empresa de Vorcaro atuava no mercado.
Concomitante ao processo de liquidação, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar fraudes bancárias e emissão de títulos falsos ou sem liquidez. As ações de investigação e a análise do caso no Supremo Tribunal Federal desenrolaram uma série de desdobramentos políticos
Com um modelo de negócios baseado na venda de títulos de renda fixa com muito retorno aos investidores mas com baixíssima liquidez, a liquidação do Banco Master renderá ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seu maior rombo na história.
Os meses que antecederam a liquidação do Master foram marcados pela ação do BC para impedir a venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB) e, posteriormente, para a Fictor. Ambas as transações foram avaliadas como formas de resgatar a empresa de Vorcaro.
Todo o imbróglio é permeado por suspeitas de alinhamento de Vorcaro e seus sócios com autoridades de alto escalão nos três poderes da República. As informações sobre a ação de grupos com ataques cibernéticos e ameaças físicas amplia o leque de crimes relacionados ao banco.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

