'A Turma' e 'Os Meninos': entenda ação de alvos da PF ligados a Vorcaro
Decisão do STF que autorizou a sexta fase da Operação Compliance Zero detalha a atividade de grupos que se dividem entre ações de intimidação presencial e ataques virtuais

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela autorização da deflagração da sexta fase da operação Compliance Zero nesta quinta-feira (14) descreve a atuação de dois grupos suspeitos de ações criminosas capitaneadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento aponta que “A Turma” ficava responsável por ações presenciais de ameaças e intimidações, enquanto “Os Meninos” era um braço possui perfil tecnológico e hacker.
“A Turma” já era conhecida desde a segunda prisão de Vorcaro, realizada em março deste ano. Na ocasião, o nome de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’, apareceu como líder de um grupo que protegia os interesses do banqueiro com ações como ameaças a jornalistas. Mourão foi preso e suicidou-se em uma cela da Polícia Federal (PF).
O núcleo responsável pelas ameaças e intimidações é descrito também como responsável por obter dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas do governo. Um dos integrantes d’A Turma é Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como líder operacional do grupo. O agente está preso desde março deste ano.
Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa, é descrito como braço direito de Marilson e responsável por consultar informações indevidas no sistema interno da corporação.
A infiltração do grupo na Polícia Federal se estende ao Sebastião Monteiro Júnior e José Pereira da Silva, policiais aposentados; e Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada da ativa. O trio atuava no repasse de informações sigilosas de operações da PF.
Já Henrique Vorcaro, pai de Daniel, atuava como demandante dos serviços e operador dos pagamentos feitos ao grupo. Já Manoel Mendes Rodrigues é descrito na decisão como líder de um braço de “A Turma” no Rio de Janeiro.
“Os meninos”
O núcleo de hackers especializado em ataques cibernéticos, invasões de telefones, derrubadas de perfis e monitoramento digital. Segundo a decisão, o líder d’Os Meninos é David Henrique Alves, responsável por coordenar as ações no âmbito virtual.
Victor Lima Sedlmaier é um estudante de computação que atuava pelo grupo em atividades como o desenvolvimento de um software de monitoramento para analisar e mapear a reputação de Daniel Vorcaro na internet.
Já Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos atuava como colaborador técnico e logístico, auxiliando David em tarefas como aquisição de domínios na internet e suporte operacional. Katherine Venâncio Telles também era vinculada a David e é apontada como apoio logístico, auxiliando na tentativa de ocultar equipamentos eletrônicos após a deflagração da operação.
Os mandados de prisão da sexta fase da Operação Compliance Zero foram expedidos para Henrique Vorcaro; David Henrique Alves; Victor Lima Sedlmaier; Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos; Manoel Mendes Rodrigues; Anderson Wander da Silva Lima; e Sebastião Monteiro Júnior.
O caso Master
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por uma crise de liquidez no retorno dos investimentos feitos na instituição. O BC entendeu que houve violações às normas do Sistema Financeiro Nacional na forma como a empresa de Vorcaro atuava no mercado.
Concomitante ao processo de liquidação, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar fraudes bancárias e emissão de títulos falsos ou sem liquidez. As ações de investigação e a análise do caso no Supremo Tribunal Federal desenrolaram uma série de desdobramentos políticos
Com um modelo de negócios baseado na venda de títulos de renda fixa com muito retorno aos investidores mas com baixíssima liquidez, a liquidação do Banco Master renderá ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seu maior rombo na história.
Os meses que antecederam a liquidação do Master foram marcados pela ação do BC para impedir a venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB) e, posteriormente, para a Fictor. Ambas as transações foram avaliadas como formas de resgatar a empresa de Vorcaro.
Todo o imbróglio é permeado por suspeitas de alinhamento de Vorcaro e seus sócios com autoridades de alto escalão nos três poderes da República. As informações sobre a ação de grupos com ataques cibernéticos e ameaças físicas amplia o leque de crimes relacionados ao banco.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
