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Facções, Pix e terras-raras: os temas que devem dominar encontro entre Lula e Trump

Governo brasileiro chega à Casa Branca com a expectativa de tentar reduzir os impactos do tarifaço e conseguir novos acordos comerciais com os EUA

Por, Brasília
Lula e Trump se encontram no Salão Oval da Casa Branca nesta quinta-feira (07)
Lula e Trump se encontram no Salão Oval da Casa Branca nesta quinta-feira (07) • Ricardo Stuckert / PR

Facções criminosas brasileiras, o funcionamento do Pix e o interesse dos Estados Unidos em minerais críticos e terras-raras devem ser assuntos dominantes na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington.

Segundo fontes do governo brasileiro, a expectativa é tentar reduzir os impactos do tarifaço anunciado por Trump em 2025 contra produtos brasileiros. Apesar dos recuos e isenções nas taxas anunciadas desde então, cerca de 15% dos produtos brasileiros exportados aos EUA, como aço e alumínio, ainda estão sujeitos às tarifas da Seção 232.

Também deve entrar em pauta a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Washington questiona políticas brasileiras relacionadas ao Pix, regras do ambiente digital, pirataria, tarifas de importação, desmatamento e legislação trabalhista. Representantes empresariais dos EUA alegam que o Banco Central brasileiro atua simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, o que, segundo eles, geraria conflito de interesses. A investigação ainda pode resultar em novas sanções ao Brasil.

 

Crime organizado

Outro eixo central da conversa será o combate ao crime organizado. O governo Lula busca ampliar acordos de inteligência e compartilhamento de dados com autoridades americanas, sobretudo no monitoramento de cargas suspeitas de tráfico de armas e drogas.

A discussão ganhou peso depois de o Departamento de Estado dos EUA classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como “ameaças significativas à segurança regional”. O governo Trump avalia enquadrar as facções brasileiras como organizações terroristas.

Lula também deve reforçar o pedido de extradição de Ricardo Magro - empresário responsável pelo Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz do Brasil, acumulando dívidas de mais de R$ 26 bilhões em tributos federais e ICMS. Enquanto a empresa é alvo de investigações pelo esquema de sonegação fiscal, o empresário vive em Miami, longe das autoridades brasileiras.

Terras-raras

A presença do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na comitiva também indica a relevância das negociações sobre minerais críticos e terras-raras. Os insumos são considerados estratégicos pelos Estados Unidos na disputa global por componentes usados nas indústrias tecnológica, energética e militar.

O governo brasileiro vem defendendo um maior controle estatal sobre esses projetos e que os investimentos na área incluam o beneficiamento dos minerais e não apenas a exportação da matéria-prima.

Lula e Trump

Inicialmente previsto para março, o encontro entre Lula e Trump foi adiado após a escalada do conflito envolvendo o Irã. Apesar de o tema não constar oficialmente na agenda, auxiliares dos dois governos admitem que a crise no Oriente Médio pode ser mencionada na conversa.

Esta será a terceira reunião entre os dois presidentes desde o início do atual mandato de Trump. Eles estiveram juntos na Assembleia Geral da ONU, em setembro do ano passado, e voltaram a se encontrar na Malásia no mês seguinte.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio