Governo Trump volta a criticar o Pix em novo relatório de barreiras comerciais
Documento da Casa Branca ainda cita uma série de medidas que são consideradas barreiras comerciais com o Brasil

O governo de Donald Trump nos Estados Unidos publicou um novo relatório sobre as barreiras do comércio exterior, nessa quarta-feira (1º), onde voltou a criticar mecanismos brasileiros como o Pix. O documento é divulgado anualmente pelo escritório de representação comercial da Casa Branca (USTR).
Nele, a gestão republicana afirma que o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central é prejudicial às empresas de cartão de crédito americanas. “O Banco Central do Brasil é o criador, dono, operador e regulador do Pix, uma plataforma de pagamento instantâneo. Acionistas americanos temem que o BC dê tratamento preferencial ao Pix, em desvantagem aos sistemas americanos”, disse.
Em julho de 2025, a Casa Branca já havia lançado uma investigação para apurar se o uso do Pix representava um favorecimento ao mercado interno brasileiro, dificultando a concorrência. O processo foca no controle do Banco Central sobre a plataforma e pode levar à imposição de tarifas contra o Brasil.
A expectativa é que as conclusões preliminares sobre o processo sejam divulgadas até maio. O governo Donald Trump, inclusive, já teria entrado em contato com representantes do governo Lula (PT) para avisar sobre as últimas etapas da investigação comercial.
O documento desta quarta também cita outras medidas do governo brasileiro como barreiras comerciais, como a lentidão para o registro de patentes, problemas na área de propriedade intelectual, tarifas para importação de etanol e até restrições sanitárias para a carne de porco americana.
“Embora o Brasil tenha tomado medidas para tornar seu mercado mais transparente, restrições e preferências nacionais permanecem. Empresas estatais brasileiras só podem subcontratar serviços a uma empresa estrangeira se não houver conhecimento técnico disponível no Brasil, e empresas estrangeiras só podem licitar para fornecer serviços técnicos se não houver empresas brasileiras qualificadas”, disse o documento.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



