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Entre a tradição e o digital: o segredo da longevidade dos comércios de bairro em BH

CDL e Sebrae destacam importância e listam desafios de empreendedores locais

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Entre a tradição e o digital o segredo da longevidade dos comércios de bairro em BH
Entre a tradição e o digital o segredo da longevidade dos comércios de bairro em BH • Foto: Itatiaia

O fortalecimento do comércio de bairro em Belo Horizonte, em ruas como Padre Pedro Pinto, Jacuí, Izabel Bueno, Úrsula Paulino e tantas outras, faz parte de uma tendência das grandes cidades. A avaliação é do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Sousa e Silva. A importância e os desafios desses empreendedores locais encerram a série "Comércio de bairro: o empreendedorismo que mantém a tradição e sobrevive em meio à era digital".

Os setores de Serviços e Comércio concentram 70% dos empregos e da massa salarial de Minas, conforme dados do Sebrae Minas. Nos últimos anos, o cenário do varejo em Belo Horizonte tem passado por uma transformação significativa, com o fortalecimento dos polos comerciais fora da região central. Segundo Marcelo, esse movimento é fruto de uma mudança de comportamento do consumidor e de desafios estruturais.

"Vimos, nos últimos anos, uma deterioração do Centro de Belo Horizonte. Assim, as pessoas, buscando mobilidade, segurança e até qualidade de vida, procuraram as coisas mais próximas de casa", explica.

Para ele, o comércio descentralizado já se consolidou como uma realidade, a ponto de muitos empresários não terem mais o desejo de se mudar para as áreas tradicionais. "Muitas empresas que estão nos bairros já se fortaleceram e aprenderam a conviver ali."

Estudo elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG neste ano reforça a avaliação feita por Marcelo. O levantamento mostra que, em Minas Gerais, 54,4% dos MEIs atuam no segmento de serviços e outros 23,7% desenvolvem atividades ligadas ao comércio, confirmando a importância desses setores para a geração de emprego, renda e dinamização da economia local. Indústria (10,8%), construção civil (10,3%) e agropecuária (0,8%) completam a distribuição.

Outros dados da Fecomércio MG reforçam a importância do comércio de bairro em BH • Arte Dhandara Entreportes/Itatiaia
Outros dados da Fecomércio MG reforçam a importância do comércio de bairro em BH • Arte Dhandara Entreportes/Itatiaia

Marcelo aponta que o "segredo" para a longevidade de estabelecimentos que operam há décadas nos bairros é o vínculo emocional e social.
"O comerciante tem que criar raiz e fazer parte da vida daquela comunidade; ele participa do clube, da igreja e de várias atividades do bairro", afirma.

Esse envolvimento facilita a sucessão familiar, pois filhos e netos acabam sendo incorporados ao negócio. Contudo, ele ressalta que a tradição deve ser acompanhada de profissionalismo, transformando a abertura de empresas por necessidade em oportunidades reais por meio da capacitação e do uso de ferramentas digitais, fundamentais para o relacionamento com o cliente.

"O digital é fundamental. A característica do belo-horizontino ainda é ir ao estabelecimento físico, mas ele pesquisa muito, busca muito no digital. Então, ter canais digitais de atendimento e de divulgação dos produtos, mesmo que a venda na loja física seja forte, é uma boa ferramenta para manter esse relacionamento com o cliente fidelizado por muito tempo", diz.

Ajuda e apoio da CDL

Marcelo destaca que a CDL/BH auxilia os lojistas por meio de suporte e capacitação, focando em transformar a abertura de empresas — muitas vezes motivada pela necessidade — em oportunidades reais de negócio, com sustentabilidade e longevidade.

Nesse sentido, o apoio ocorre por meio de orientação estrutural: a CDL ajuda o empreendedor a entender se o ponto escolhido é regular para a atividade pretendida e se haverá demanda pelos produtos ou serviços naquele local; capacitação para gestão: suporte para que o lojista compreenda que o sucesso do negócio vai além de "simplesmente abrir", fornecendo as ferramentas necessárias para melhorar a gestão do empreendimento; e fomento à transformação digital: incentivo e orientação ao uso de canais digitais de atendimento e divulgação de produtos, permitindo que o comerciante de bairro se relacione com o cliente também no ambiente virtual, o que é essencial para a fidelização, mesmo quando a venda física ainda é predominante.

Além da loja física

Em um cenário no qual as compras online dominam o mercado, o comércio de proximidade tem se mostrado um pilar essencial. Márcia Valéria Cota Machado, gerente da Unidade de Indústria, Comércio e Serviços do Sebrae, destaca que esses negócios atuam diretamente na conveniência.

"Esses empreendedores conhecem melhor os seus clientes, entendem suas necessidades e oferecem um atendimento mais personalizado", afirma Márcia.

Segundo ela, a estrutura reduzida dessas empresas permite uma customização que as grandes redes dificilmente alcançam, o que acaba dinamizando o bairro e retendo a renda na própria localidade. Além do impacto financeiro, ela aponta um benefício social direto:

"Nós conseguimos gerar emprego localmente porque as pessoas geralmente conseguem trabalhar perto de casa e também o consumidor se sente mais abraçado."

Entre a tradição e o digital o segredo da longevidade dos comércios de bairro em BH • Foto: Aline Campolina / Itatiaia
Entre a tradição e o digital o segredo da longevidade dos comércios de bairro em BH • Foto: Aline Campolina / Itatiaia

Papel vital

O economista Feliciano Abreu, que mantém o site Mercado Mineiro há décadas, acompanha de perto a transformação do comércio de bairro, que ele considera vital para Belo Horizonte.

Ele observa que, embora o pequeno comerciante não possua o mesmo poder de compra das grandes redes de supermercados ou drogarias, tem uma estrutura de custos mais enxuta.

"O pequeno varejista tem um custo muito menor porque, muitas vezes, trabalha como gerente, proprietário e faz desde a contabilidade até a limpeza do chão", pontua Feliciano.

Apesar dessa resiliência, Feliciano demonstra preocupação com a concentração de mercado nas mãos de poucas grandes bandeiras e com o avanço agressivo do e-commerce. Ele alerta que, a médio prazo, a falta de concorrência é prejudicial ao consumidor.

"A concorrência é sempre saudável e o consumidor deve privilegiar o comércio de bairro, mesmo que pague um pouquinho mais caro, para que não fiquemos na mão de poucos varejistas", defende.

Para Feliciano, o valor do pequeno comércio vai além do preço, residindo na conveniência de "poder comprar em qualquer horário do dia e conhecer as pessoas que estão trabalhando ali".

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.

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Jornalista formada pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e graduanda em Letras pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). Foi editora do Jornal da Itatiaia e, atualmente, integra a equipe do portal da Itatiaia como chefe de reportagem.

 

 

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