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EUA decidem nesta quarta se aplicam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Governo Lula mantém negociação até o último momento, mas Planalto já trabalha com cenário de confirmação das novas taxas

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Donald Trump e Lula em encontro no durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático. • Ricardo Stuckert / PR.

O governo dos Estados Unidos deve anunciar nesta quarta-feira (15) a decisão sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que pode elevar significativamente as barreiras comerciais entre os dois países. A decisão faz parte da investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na chamada Seção 301 da legislação americana. A apuração questiona práticas comerciais adotadas pelo Brasil em diferentes áreas, como propriedade intelectual, comércio digital e até o sistema de pagamentos Pix, considerado um dos pontos sensíveis das negociações.

Nos bastidores, o governo brasileiro ainda tenta evitar a aplicação das tarifas. A expectativa é de uma última rodada de conversas entre representantes dos dois países antes da decisão final. No entanto, integrantes do Palácio do Planalto admitem que o cenário mais provável continua sendo a confirmação da sobretaxa.

Caso a tarifa de 25% seja implementada, o Brasil passará a ocupar a segunda posição entre os países com as maiores tarifas impostas pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China, segundo levantamento do centro de estudos suíço Global Trade Alert.

Na tentativa de evitar a medida, o governo brasileiro apresentou aos norte-americanos um conjunto de propostas para atender parte das preocupações levantadas na investigação. Entre elas, a possibilidade de reduzir tarifas de centenas de produtos importados. O Planalto, porém, manteve fora das negociações temas considerados inegociáveis, como o Pix e mudanças na política para o etanol.

O contador e consultor tributário Francisco Arrighi avalia que, caso as tarifas sejam confirmadas, os primeiros efeitos devem aparecer na inflação e no câmbio. Segundo ele, teremos evidentemente um dólar mais alto e uma barreira muito forte, ou seja, haverá normalmente uma desvalorização do real frente ao dólar.

Arrighi afirma ainda que a medida poderá provocar uma "inflação importada", com aumento nos preços de fertilizantes, máquinas e equipamentos de tecnologia adquiridos dos Estados Unidos. Na avaliação do especialista, esse cenário também tende a manter os juros elevados:"O Banco Central vai ser obrigado a manter a taxa Selic, que hoje já está muito elevada. Com isso, teremos um aumento dos preços automaticamente", afirmou.

Para o consultor, os impactos podem ir além da inflação. "Teremos uma queda nas vendas de todos os produtos aqui internamente e, com a diminuição das vendas no comércio, haverá automaticamente perda de postos de trabalho", disse. Segundo Arrighi, a eventual adoção das tarifas pelos Estados Unidos pode dificultar o crescimento da economia brasileira e produzir efeitos contrários à política econômica defendida pelo governo federal.

Há cerca de dez dias, houve uma reunião técnica entre negociadores dos dois países, e o Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento acerca dos seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial, mas não recebeu resposta. Em razão do prazo dado pelo governo americano, um eventual adiamento do tarifaço passou a ser considerado “improvável” pelo governo brasileiro, mesmo assim, no início da manhã desta terça-feira, auxiliares do presidente Lula passaram a tentar contato com interlocutores de Donald Trump para tentar uma nova rodada de negociação.

A avaliação do especialista é que a medida pode provocar alta do dólar, aumento da inflação, encarecimento de produtos importados, como fertilizantes, máquinas e equipamentos, além de pressionar a manutenção dos juros em níveis elevados. Segundo ele, esse cenário pode reduzir o ritmo de crescimento da economia, afetar o comércio e provocar impactos no mercado de trabalho. Caso as tarifas sejam confirmadas, o governo brasileiro deverá avaliar as medidas diplomáticas e comerciais que poderão ser adotadas em resposta.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.