Entenda denúncias envolvendo Lulinha investigadas por CPMI do INSS
Viagens do filho do presidente Lula e relação com lobistas são questionadas por integrantes da CPMI

O relatório final da CPMI do INSS, apresentado nesta sexta-feira (27), acusa o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, de cometer quatro crimes: tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção passiva.
Desde que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a ser investigado pela comissão, vieram à tona alguns episódios sobre a relação de Lulinha com lobistas e funcionários envolvidos no escândalo do INSS.
O primeiro questionamento foi uma suposta relação de Luinha com Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado Careca do INSS.
A defesa de Lulinha admitiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele viajou a Portugal com as despesas pagas pelo empresário Antunes. Segundo seu advogado Guilherme Suguimori, no entanto, seu cliente não fechou qualquer negócio ou recebeu dinheiro do empresário.
Lulinha diz que conheceu Antunes por meio da amiga Roberta Luchsinger em 2024, que lhe apresentou o empresário como “um bem-sucedido empresário do mercado farmacêutico”.
O filho do presidente negou que tinha conhecimento dos esquemas de fraudes no INSS.
Viagem pela Escandinávia
Uma outra viagem de Lulinha também veio à tona durante as investigações da CPMI. De acordo como portal Metrópoles, uma viagem de Lulinha e familiares na Noruega e Finlândia em janeiro de 2025 também foi bancada pela lobista Roberta Luchsinger.
Segundo o portal, a viagem de luxo pela Escandinávia custou cerca de R$ 300 mil para cada família, sendo que os valores foram pagos por Luchsinger.
Lulinha e os demais turistas teriam chegado ao continente europeu em um voo da Swiss Airlines. O roteiro incluiu também passagem pela Lapônia, com direito a hospedagem em um hotel de luxo, com valores que vão até 42 mil euros por semana na alta temporada.
A hospedagem seria de uso exclusivo, ou seja, um grupo de hóspedes ocupa o local sem dividir o espaço com outros clientes, com preços que podem ultrapassar 42 mil euros na alta temporada, entre dezembro e janeiro.
A viagem de luxo foi documentada pela lobista e por sua filha nas redes sociais.
Em nota, a defesa de Lulinha nega as conexões e afirma que não irá confirmar nem comentar “viagens pessoais e familiares”, nem “qualquer outra divulgação de dados sigilosos de origem criminosa ou que infrinjam a Lei Geral de Proteção de Dados”.
Fundo Fictor
Na semana passada, o jornal ‘Folha de S.Paulo’ revelou que Lulinha mantém relações próximas com o empresário Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio da Fictor, e que o filho do presidente já atuou como consultor do grupo.
O Grupo Fictor é uma holding de investimentos e gestão empresarial, fundada em 2007, que atua em setores como agronegócio, alimentos, serviços financeiros e infraestrutura.
Na quarta-feira (25), Rubini e acionistas da Fictor foram alvos de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes bancárias associadas ao Comando Vermelho.
Segundo relatos de pessoas que trabalharam no grupo, Lulinha foi contratado para fazer uma aproximação da Fictor com o governo federal. A partir desse relação, Rubini teria sido indicado para participar do Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o chamado Conselho que funciona como órgão consultivo da Presidência da República.
Em entrevista à ‘Folha de S.Paulo’, o advogado de Lulinha negou a participação na indicação de Rubini ao Conselhão. “Fábio Luís não é político e não possui poder de influência ou determinação de órgãos governamentais”, afirmou Guilherme Suguimori.
Relação com lobistas
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos), em entrevista à Itatiaia, afirmou que lobistas montaram um esquema para desviar recursos da previdência.
“No INSS temos esses lobistas que começaram lá atrás no governo Temer. Eles começaram com os trabalhos de descontos de sindicatos e associações, depois clubes de desconto. Esses lobistas, ao menos três deles, são muito bem identificados: Antônio Carlos Camilo, Mauricio Camisotti e Roberto Lopes, que é o do Conafer. Eles criaram esquemas de influência dentro da previdência, mas para que esses esquemas sobrevivessem era preciso que os cargos da previdência se mantivessem nas mãos ou sob encargo de pessoas ligadas ao esquema. Então, em cada governo eles buscavam interlocutores”, afirmou Viana.
“No atual governo, a informação é de que Antônio Carlos Camilo contratou uma senhora chamada Roberta Luchsinger, que tem uma amizade muito próxima com o filho do presidente da República para que eles montassem um esquema de venda de canabidiol usando o dinheiro da previdência. Então a figura do filho do presidente abria portas para esse grupo e, em tese, permitiu que Antônio Carlos Camilo usasse desse recurso e nisso foi dinheiro para Portugal e para Espanha. O relator pediu indiciamento com base em todas as declarações de testemunhas e da própria Polícia Federal”, concluiu o senador.
No relatório final, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) considerou que ficou provada o uso de recursos em benefício de Fábio Luís. O parlamentar reclamou de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediram o aprofundamento das investigações.
“Está provado que o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas foi utilizado em benefício de LULINHA para a aquisição, por CARECA DO INSS, de passagens de primeira classe em voos internacionais, bem como hospedagens de luxo em países europeus”, diz o relatório.
“Decisão do STF impossibilitou o aprofundamento das investigações referentes à LULINHA, tendo em vista que os Requerimentos 2608/2025723 2939/2026724, 2942/2026725 e 2976/2026726, aprovados em 26/02/2026, tiveram seu efeito restringido devido à Decisão do Ministro do STF, FLÁVIO DINO, de 05/03/2026”, continua o deputado.
Outro lado
O advogado Marco Aurélio Carvalho, que faz parte da defesa de Lulinha, afirmou, em mensagem à reportagem da Itatiaia, que a inclusão de Fábio Luís no relatório da CPMI "revela o caráter eleitoral da atuação do relator".
"A recomendação de indiciamento só revela o caráter eleitoral da atuação do relator , e vulgariza a nobre função de fiscalizar, delegada de forma atípica pela constituição federal ao parlamento brasileiro. Não há um único elemento nos autos que justifique ou fundamente a referida sugestão. Se não fosse trágico , seria cômico .
Fábio não tem relação direta ou indireta com os fatos investigados no bojo da CPMI do INSS. O vazamento criminoso de seu sigilo bancário é um elemento que confirma o que a defesa desde o início vem dizendo", diz a nota.
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