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Em artigo, Mauro Vieira critica líderes de extrema direita e promete respostas 'enérgicas'

Mauro Vieira afirmou que Brasil não será 'governado por controle remoto' e criticou ataques de líderes estrangeiros ao país

PorBrasília
Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira
Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira • Marden Matos - MRE/AIG

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou um recado aos que chamou de “mesmos atores políticos e sociais que fracassaram na implementação de um golpe de Estado no Brasil” nesta terça-feira (11). Em artigo de opinião publicado no Correio Braziliense, ele se referiu, sem citar nomes, a governantes de extrema direita que protagonizaram ataques recentes ao Brasil, como o norte-americano Donald Trump e o argentino Javier Milei, além da família Bolsonaro e seus aliados.

“Aqueles que tentaram normalizar o golpe buscam agora inverter o ônus pelos ataques ao Brasil e às nossas instituições. Fracassarão de novo porque, até mesmo na era da desinformação e da pós-verdade, ainda continuam vivas as noções de boa educação e de certo e errado que nos ensinaram em casa desde a infância. Agredir, ameaçar, proferir insultos ao anfitrião, seja na casa, seja no país de quem acolhe a visita, ou conspirar contra a própria pátria no exterior são atitudes erradas, são condenáveis, e nada mudará essa realidade. Não se responsabiliza a vítima por uma agressão recebida. A culpa cabe sempre ao agressor”, ressaltou.

O chanceler deixou claras suas impressões sobre as relações com esses chefes de Estado e indicou como deverá ser a atuação do Brasil. Para ele, a troca de sinais com outros países é a base para o tipo de relação que será consolidada. Por isso, afirmou que relações desrespeitosas “requerem respostas enérgicas.” Também declarou que o país “não será governado por controle remoto a partir de uma capital estrangeira.”

“Os sinais da atualidade, no caso do Brasil, incluem ataques inauditos e virulentos, em alguns casos instigados por brasileiros que abertamente conspiram contra o interesse nacional. Por esse motivo, o exercício da proporcionalidade, basilar em relações internacionais, requer respostas enérgicas do Estado brasileiro em defesa da nossa soberania e das nossas instituições”, disse.

O ministro aproveitou o artigo para esclarecer fatos recentes que, segundo ele, foram distorcidos pela desinformação. Um deles foi o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que estabeleceu uma tarifa adicional e elevou para 50% a taxa sobre parte dos produtos brasileiros. O outro foi a participação de Javier Milei em um evento do Partido Liberal (PL) que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Na ocasião, o presidente argentino atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Em ambos os casos, o chanceler reforçou que o Brasil e as autoridades brasileiras não provocaram as situações. Ele afirmou ainda que essas atitudes devem ser “repelidas” e classificou os episódios como ações “fora dos limites da civilidade”. Mauro Vieira também acusou políticos que tentaram realizar um golpe no país de tentar inverter as responsabilidades.

"Percebo, no debate dos últimos dias, a tentativa de alguns de inverter a responsabilidade pelos atos hostis que é de única e exclusiva responsabilidade de governantes e governos estrangeiros que os praticam, e a ninguém mais. (...) Esses mesmos atores agora tentam responsabilizar o governo brasileiro pelas agressões de que é alvo e polemizar a respeito da resposta proporcional do Brasil tanto às agressões recebidas como às declaradas manobras de ingerência externa", provocou.

Mauro Vieira também afirmou que a desinformação, o uso de algoritmos e das redes sociais têm se tornado uma “arma” para ampliar o extremismo político, criar obstáculos às relações internacionais e à manutenção da democracia. Por outro lado, garantiu que as instituições brasileiras são fortes o suficiente para defender os interesses nacionais.

Por último, o ministro depositou um voto de confiança na população brasileira. Segundo ele, a sociedade está atenta e “não abre mão de conduzir o destino do próprio país”. Mauro Vieira também assegurou que o Itamaraty continuará a reagir “com profissionalismo” à desinformação e às “grosserias de candidatos a predadores e seus apoiadores locais”.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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