Saúde: veja o que propõem os principais candidatos ao governo de Minas
De fila transparente a hospital regional, conheça as propostas dos principais candidatos ao Palácio Tiradentes

Com as candidaturas ao Governo de Minas Gerais definidas, os eleitores já podem consultar os planos de governo depositados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na saúde, os documentos partem de um diagnóstico comum, a espera por consultas especializadas, exames e cirurgias, e propõem caminhos distintos para enfrentá-la, que vão do financiamento direto de procedimentos à reorganização da regulação estadual.
A Itatiaia analisou os documentos oficiais de campanha e separou as principais ideias para a saúde contidas nos planos de governo dos candidatos ao Palácio Tiradentes.
O levantamento tem como base os documentos oficiais registrados pelas campanhas e disponibilizados na plataforma DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Abaixo, você confere as ideias contidas nos planos de governo das seis principais candidaturas, em ordem alfabética.
Alexandre Kalil (PDT)
O plano de Alexandre Kalil parte da premissa de que o problema não está apenas na quantidade de recursos, e sim na capacidade do Estado de coordenar a política de saúde. As diretrizes giram em torno da regionalização, da regulação e da autonomia tecnológica.
- Coordenação estadual: retomada plena do papel de coordenação do SUS pela Secretaria de Estado de Saúde, com as Unidades Regionais recuperando protagonismo no planejamento e no apoio técnico aos municípios.
- Prioridade por região: ampliação de serviços especializados no Norte, Jequitinhonha e Mucuri, capacidade hospitalar no Triângulo, Alto Paranaíba e Centro-Oeste, e redução de filas na Região Metropolitana.
- Regulação: aperfeiçoamento da Central de Operações para Regulação Estadual, a CORE, com mais transparência, qualidade dos dados e capacidade de decisão.
- Câncer no tempo certo: fluxos de investigação rápida para casos de alta suspeição e avaliação de centros regionais de confirmação diagnóstica.
- Urgência integrada: protocolos comuns entre SAMU, Corpo de Bombeiros e transporte aeromédico, com a localização das bases definida por indicadores de tempo de resposta.
- Polo de vacinas: aproximação da Fundação Ezequiel Dias ao Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG para formar um ecossistema mineiro de inovação em saúde.
- Hospitais regionais: o documento afirma que obra de hospital que não atende paciente não é política concluída e propõe avaliar unidade por unidade o que falta em equipe, equipamento e custeio.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
Cleitinho aposta no financiamento direto de procedimentos para encurtar filas e no uso de tecnologia para dar previsibilidade ao paciente da rede estadual.
- Tabela Mineira: complementação do financiamento federal com verba estadual para expandir exames, consultas especializadas e cirurgias eletivas.
- Hospitais regionais: compromisso de garantir o funcionamento pleno de cinco unidades, em Teófilo Otoni, Governador Valadares, Divinópolis, Sete Lagoas e Conselheiro Lafaiete.
- Reativar Minas: diagnóstico e recuperação funcional de leitos, maternidades, UTIs e centros cirúrgicos subutilizados em todas as regiões.
- UBS próprias: apoio aos municípios para construir, ampliar e modernizar Unidades Básicas de Saúde, substituindo imóveis alugados, com protocolos clínicos atualizados e teleassistência.
- Transparência digital: Jornada do Cuidado Digital, para o paciente acompanhar histórico e exames, e sistema de consulta prévia do estoque de medicamentos antes do deslocamento à farmácia pública.
Flávio Roscoe (PL)
Flávio Roscoe afirma que a saúde é a área em que a gestão estadual tem os melhores resultados a apresentar, e sustenta que o problema não é a falta de resultado, e sim a falta de dados regionalizados.
O candidato cita informações atribuídas à Secretaria de Estado de Saúde, como a queda da mortalidade materna de 44,3 para 32,9 óbitos por 100 mil nascidos vivos entre 2019 e 2025.
- Fila transparente: publicação do tempo médio de espera por cirurgia eletiva e exame por macrorregião, dado que, segundo o plano, hoje não é público.
- Painel em tempo real: consulta da fila do hospital de referência pelo aplicativo do estado.
- Atenção primária no interior: expansão da cobertura no Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri, apontadas no diagnóstico como as regiões com pior indicador de acesso.
- Mortalidade materna: meta de levar o indicador abaixo de 25 óbitos por 100 mil nascidos vivos até o fim do mandato.
Gabriel Azevedo (MDB)
O plano de Gabriel Azevedo nomeia o problema como fila invisível, definida como espera sem previsão e cuidado de longa duração jogado sobre as famílias, e registra que a atenção primária cobre mais de 80% da população, mas a fila reaparece na média e alta complexidade.
- Organizar antes de construir: prioridade à organização das redes regionais e ao fortalecimento dos consórcios de saúde antes de criar novas estruturas físicas.
- Forças-tarefa regionais: frentes por especialidade integradas à regulação, com critérios clínicos e territoriais, para evitar mutirões desconectados da rotina da rede.
- Regulação transparente: divulgação de dados agregados sobre filas e percursos assistenciais, sem violar sigilo.
- Famílias atípicas: linha estadual de cuidado que integra saúde, educação e assistência social em fluxo único para autismo, deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento, do diagnóstico precoce à reabilitação, com apoio ao cuidador e transparência da fila.
- Infraestrutura digital: telemedicina e prontuário integrado como base do sistema, com reorientação da rede para o envelhecimento e a saúde mental.
Mateus Simões (PSD)
O plano do atual governador Mateus Simões, candidato à reeleição, se apresenta como conjunto de diretrizes, e não como catálogo de ações, e afirma que prazos e escala serão definidos pelo planejamento setorial.
O diagnóstico é de continuidade e registra como avanços recentes a conclusão de hospitais regionais com obras paralisadas, a universalização do SAMU e a ampliação da rede de atenção psicossocial.
- Atenção primária: consolidação como porta de entrada do sistema, em articulação com os municípios.
- Tecnologia como vetor principal: telessaúde, diagnóstico remoto e integração dos sistemas de informação em saúde.
- Redução do tempo de espera: compromisso de acelerar e expandir a queda na fila de cirurgias e exames, sem número ou prazo declarados.
- Acesso a medicamentos: melhoria das condições de acesso, com atenção prioritária às regiões e populações hoje menos assistidas.
- Grupos prioritários: qualificação do atendimento a pessoas com deficiência, transtorno do espectro autista e doenças raras, e política de saúde do idoso construída junto com a Assistência Social.
Patrus Ananias (PT)
O plano de Patrus Ananias concentra o enfrentamento da fila na regulação, o sistema que define qual paciente vai para qual vaga e quando, e defende o fortalecimento da rede pública estadual.
- Regulação descentralizada: o documento aponta concentração excessiva da regulação de consultas, exames e internações em Belo Horizonte e propõe recuperar a capacidade de decisão das regiões de saúde.
- CORE revista: critérios públicos de prioridade, informações atualizadas sobre filas e leitos e uso dos dados da regulação para orientar onde ampliar a oferta.
- Atenção primária como eixo: ampliação da Estratégia Saúde da Família, qualificação das equipes multiprofissionais e fortalecimento da saúde bucal.
- Menos dependência do setor privado: ampliação da capacidade regional com investimento na rede pública estadual, nos hospitais regionais e nos consórcios intermunicipais.
- Fhemig: reversão do que o plano classifica como desmonte e privatização dos hospitais da fundação, com reestruturação e ampliação da atuação no interior.
- Saúde mental: política estadual de saúde mental, álcool e outras drogas, com ampliação dos CAPS e cuidado de base comunitária.
Semelhanças e antagonismos entre os planos de governo
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Regulação Estadual: Os documentos de Alexandre Kalil e Patrus Ananias apresentam diretrizes semelhantes para a Central de Operações para Regulação Estadual (CORE). Ambos os planos propõem a revisão e o aprimoramento do sistema como ferramenta principal para organizar o fluxo e o acesso dos pacientes aos serviços de saúde.
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Hospitais Regionais: O tema expõe perspectivas distintas quanto ao diagnóstico das unidades. O documento de Mateus Simões cita a conclusão dos hospitais regionais com obras paralisadas como um avanço da atual gestão. Em contraponto, o plano de Alexandre Kalil sustenta que a política só se conclui com o atendimento efetivo ao paciente, propondo uma avaliação técnica individual de cada estrutura.
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Transparência nas Filas: O acesso aos dados de espera é abordado com metodologias diferentes. Flávio Roscoe propõe a publicação do tempo médio por macrorregião e a criação de um painel em tempo real para o cidadão. Já Gabriel Azevedo defende a divulgação de dados agregados sobre filas e percursos assistenciais, com a ressalva expressa de não violar o sigilo dos pacientes.
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Formato de Metas: Em relação à estruturação das propostas, o documento de Flávio Roscoe se diferencia por fixar uma meta com indicador numérico e prazo definido (na área de mortalidade materna). Os demais planos optam por estabelecer compromissos de direção e diretrizes gerais para o setor.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



